PMs mandaram jovens saírem da rua pouco antes da chacina, dizem vizinhos

Cerca de dez minutos após o aviso, cinco rapazes foram assassinados na Cidade Ademar

William Cardoso, de O Estado de S.Paulo,

17 Novembro 2012 | 21h07

Vizinhos dos cinco rapazes que foram assassinados no início da madrugada deste sábado, na Cidade Ademar, na zona sul de São Paulo, estão indignados com a chacina. Segundo eles,  uma viatura da Polícia Militar, com quatro homens, passou pelo local pouco antes da matança, dizendo que não era para ninguém ficar na rua. Durante a tarde de hoje, policiais fizeram abordagens na região.

Os moradores contam que  a chacina aconteceu cerca de dez minutos depois que policiais passaram em uma viatura da Força Tática pela Rua Sebastião Afonso. "Era pouco antes da meia-noite quando mandaram todo mundo entrar em casa", afirmou um autônomo, de 32 anos.

Emerson da Silva Sampaio, de 24 anos; William Adolfo de Carvalho, de 26; Vagner Pereira de Jesus, de 25; Allan Correia da Silva, de 24; e Rafael Freitas Medeiros, de 21; foram assassinados por dois homens com toucas ninjas quando conversavam perto de uma viela. Os rapazes foram encurralados pelos atiradores, que chegaram e foram embora a pé.

Carvalho, Jesus e Silva eram primos e trabalhavam em um mercado. Eles estavam de folga. "Faz 30 anos que moro aqui, mas, depois disso, vou embora. Ensinei meu filho a ser digno, trabalhador, e veio um qualquer e tirou a vida dele", afirmou a mãe de Silva, uma doméstica, de 42 anos.

Testemunhas contam que uma viatura da Força Tática passou em disparada pelo local logo após os tiros. Os policiais não teriam socorrido as vítimas de imediato, apesar dos pedidos de amigos e familiares.

Na tarde de ontem, policiais fortemente armados abordaram moradores na rua onde aconteceu a chacina.

Resposta. Questionada sobre as críticas, a PM respondeu que os moradores devem oficializar as denúncias. "A Polícia Militar esclarece que não compactua com a ilegalidade nem com desvios de conduta de seus integrantes, por isso solicita às supostas testemunhas que entrem em contato, o quanto antes, com a Corregedoria da PM para que possam ser formalizadas as queixas. A segurança pública é dever do Estado mas também é responsabilidade de todos. Somente em posse das denúncias poderemos dar uma resposta adequada à sociedade."

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