PMs ladrões devem ir para prisões comuns

Pedido será feito à Justiça Militar, em resposta aos roubos de caixas por policiais

William Cardoso e Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2011 | 00h00

A Polícia Militar quer mandar para presídios comuns os integrantes da corporação envolvidos na onda de roubos a caixas eletrônicos. A medida foi anunciada ontem pelo comandante-geral da PM, coronel Alvaro Camilo, e depende da autorização da Justiça Militar. Ele determinou o reforço no patrulhamento na madrugada, com a participação da Força Tática e das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota).

Hoje, policiais que cometem crimes comuns são encaminhados ao Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte da capital. Caso seja aprovada pelo Tribunal de Justiça Militar, a regra deve mudar. "São bandidos e merecem o mesmo tratamento que um preso qualquer, em um presídio comum. Seremos implacáveis com os desvios de conduta", afirmou Camilo. Até agora, nove policiais foram presos acusados de encobrir os ataques a caixas.

A constatação de que 80% dos casos de roubo a caixas eletrônicos contam com a participação de policiais militares abriu uma crise na corporação. "Como cidadão e pai de família, estou indignado. Tem policial que entra em um banco, em um mercado, e fica constrangido com os olhares das pessoas. Peço que os bons policiais fiquem de cabeça erguida e que a população denuncie todos aqueles que fazem coisas erradas", disse o comandante.

De acordo com a própria PM, o número de policiais envolvidos nesses crimes pode aumentar com o avanço das investigações. Atualmente, 26 são suspeitos de participação nos crimes. O comando da corporação afirma que se usa a via rápida para a punição de envolvidos em irregularidades e que em até 90 dias pode determinar a punição. Não é necessário o término da investigação civil para isso.

O comandante da PM disse que não há um perfil específico dos investigados. Segundo Camilo, eles têm entre 5 e 25 anos de trabalho na corporação. "É da própria índole. Por acaso, eles usam farda."

Entre outros pontos, as investigações internas da PM levarão em consideração o local onde a viatura deveria estar e se, naquele momento, ocorreu um roubo a caixa eletrônico na região. O comando da corporação afirmou também que colabora com a Polícia Civil e o Ministério Público Estadual. Segundo o comandante da PM, os policiais suspeitos de participação nas ações criminosas não sabem que são investigados. "Alguns estão trabalhando, porque ainda não se provou nada contra eles."

A elite da PM vai combater os roubos a caixas eletrônicos. Guarnições da Força Tática espalhadas por todo o Estado terão o horário de patrulhamento estendido até a madrugada, período que tem concentrado as ações criminosas. Na capital, a Rota também reforçará o policiamento, com cerca de 80 homens nas ruas.

Cada batalhão da PM conta com um efetivo de aproximadamente 25 policiais da Força Tática. Em situações normais, a guarnição trabalha entre as 10h e as 22h. Com a onda de roubos a caixas eletrônicos, os policiais deverão iniciar a jornada no meio da tarde e estendê-la até as 3h. Caso seja necessário, deverão cobrir toda a madrugada. Os batalhões já fizeram um levamento dos locais onde há caixas eletrônicos e, segundo o comandante da PM, a ação já começou.

A participação de policiais com armamento mais pesado, caso da Força Tática e da Rota, no patrulhamento durante as madrugadas leva a PM a prever o aumento no número de confrontos, e possivelmente de mortes, caso as quadrilhas insistam nas ações criminosas. "A pronta resposta sempre existirá", disse o comandante.

Colaboração. A PM pede que, além da marcação das notas pelo dispositivo antifurto e da diminuição do valor disponível para saque, os caixas eletrônicos sejam colocados em lugares mais protegidos, que levem em consideração a segurança. Até hoje, a localização dos equipamentos foi definida principalmente pela facilidade de acesso. "É algo que a polícia já pediu há bastante tempo", afirma Camilo.

Onda de ataques

26

PMs são considerados suspeitos de participação nos roubos

58

ataques a caixas eletrônicos foram registrados na capital desde janeiro, segundo levantamento da reportagem

331

policiais foram expulsos entre janeiro de 2009 e abril de 2011

4 mil

é o número de caixas eletrônicos em São Paulo, segundo a PM

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