PMs 'highlanders' vão a julgamento por decapitar deficiente

Os quatro são acusados de pertencer a grupo de extermínio; previsão é de que sentença saia durante madrugada

Elvis Pereira, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2010 | 00h00

O julgamento de quatro policiais militares acusados de matar Antonio Carlos da Silva Alves em 8 de agosto de 2008 começou ontem às 10h no Fórum de Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo. A vítima, portadora de deficiência mental, foi decapitada, teve as mãos decepadas e sofreu um corte na barriga em forma de cruz. O crime ocorreu no Jardim Capela, zona sul de São Paulo. A previsão era de que o encerramento ocorresse de madrugada.

Foram levados a júri popular pelo crime o sargento Moisés Alves dos Santos, o cabo Joaquim Aleixo Neto e os soldado Rodolfo da Silva Vieira e Anderson dos Santos Sales. Eles pertenciam ao 37.º Batalhão da Polícia Militar de São Paulo e fariam parte de um grupo de extermínio que ficou conhecido como Highlanders, alusão ao filme em que guerreiros imortais cortavam as cabeças de seus inimigos.

O caso veio à tona com os assassinatos de Roberth Sandro Campos Gomes, de 19 anos, o Maranhão, e Roberto Aparecido Ferreira, de 20, o Bebê. Ambos foram decapitados em 30 de maio de 2008. Os corpos foram encontrados em um terreno em Itapecerica. Os PMs são acusados de obrigar menores infratores a roubar para a organização. Quem desobedecia era morto. Quatro corpos foram encontrados decapitados em Itapecerica.

No relatório das investigações, em 2009, a Polícia Civil indiciou 14 PMs pela morte de três dos quatro decapitados. Todos ficaram detidos no Presídio Militar Romão Gomes, zona norte da capital. Nove continuam presos.

O promotor Vitor Petri afirmou que o soldado Rodolfo tinha o coronel Eduardo Félix, comandante da Tropa de Choque, como "padrinho" e por isso gozava de regalias no batalhão. O coronel não foi ao julgamento.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.