Rafael Arbex/ Estadão
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PMs envolvidos em morte de criança foram para Corregedoria

Órgão está encarregado de investigar conduta dos policiais na ação; ouvidor diz que envio para o setor é 'surpreendente’

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

14 Junho 2016 | 23h08

SÃO PAULO - Os seis policiais militares investigados por participação na morte de um menino de 10 anos com um tiro na cabeça, no dia 2, estão trabalhando na Corregedoria da Polícia Militar, órgão encarregado de investigá-los, em procedimento paralelo ao conduzido pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

A Secretaria de Estado da Segurança Pública não deu detalhes sobre o motivo de envio para atuação na Corregedoria, onde os policiais prestarão serviços administrativos. Os homens estão lotados no 16.º Batalhão da PM, que atende a zona oeste e parte da sul, e começaram a trabalhar lá na última segunda-feira.

O ouvidor das Polícias do Estado, Julio César Fernandes, achou “surpreendente” a decisão de pôr os policiais investigados para dar expediente no órgão que os investiga. “É surpreendente que eles, que são a peça da investigação, sejam levados para a Corregedoria. A PM tem os procedimentos dela, e ela costuma agir dentro do regulamento”, afirmou. 

O caso. O menino de 10 anos foi morto dentro de um carro furtado, na Vila Andrade, na zona sul da capital. Os policiais sustentam que a criança atirou contra eles enquanto fugia. Laudo pericial mostrou que as mãos do garoto continham rastros de pólvora, mas a luva que ele supostamente usava, não.

Outro menino que participava da ação, de 11 anos, parceiro do garoto morto, disse, no terceiro depoimento prestado, ter sido agredido e ameaçado antes de gravar um vídeo reforçando essa versão. Em outro depoimento, afirmou que o colega estava desarmado. A testemunha e sua família entraram no Programa de Proteção à Criança e Adolescentes Ameaçados de Morte (PPCAAM).

Laudo divulgado nesta terça-feira, 14, pela Secretaria da Segurança confirmou que o projétil que acertou a criança na cabeça saiu da arma de um dos policiais militares. O advogado Marcos Manteiga, que os representa, não foi localizado para comentar o resultado nesta terça. 

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