PMs entram em apartamento vizinho onde garotas são reféns

Drama em Santo André passa de 90 horas; amiga da ex-namorada de seqüestrador voltou ao cativeiro

Redação,

17 de outubro de 2008 | 06h18

Quatro soldados da Polícia Militar entraram em um apartamento vizinho ao de Eloá Cristina Pimentel da Silva, 15 anos, onde ela e a amiga Nayara são feitas reféns em Santo André, desde às 13h30 de segunda-feira. Eles entraram por volta das 7h30. Já passa de 90 horas o drama da estudante Eloá, feita refém  pelo ex-namorado, o industriário Lindembergue Fernandes Alves, 22, em um apartamento da CDHU no Jardim Santo André, em Santo André, no ABC paulista. O contato com o seqüestrador está suspenso desde a tarde de ontem.   Veja também: Pai de Nayara diz que foi ‘expulso’ pela PM de escola Vizinhos também se tornaram reféns de seqüestro no ABC Amiga volta ao apartamento para negociar fim de seqüestro Em 2 anos, houve ao menos 3 seqüestros por relacionamento Jovem diz que vai matar ex-namorada se polícia invadir o local   Às 9 horas de quinta-feira, Nayara, amiga de Eloá, que havia sido libertada na terça-feira, entrou no apartamento para ajudar nas negociações com o seqüestrador, e foi feita refém mais uma vez. Desde então, o acusado não teria mais atendido o telefone celular, suspendendo o contato os policiais do Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE), da Polícia Militar.     A entrada de Nayara no apartamento era uma das condições impostas pelo seqüestrador para que a refém fosse liberada. Nayara estava no grupo que foi inicialmente rendido por Alves na segunda-feira à tarde.   A camiseta do São Paulo Futebol Clube continua exposta na janela do banheiro do apartamento. Às 4h50 desta sexta-feira houve troca de turno entre os policiais incumbidos de negociar com Lindembergue.   Vinte minutos depois, alguns dos PMs aproximaram-se da porta de entrada do imóvel, mas, por motivo ainda não informado, resolveram recuar. Durante toda a madrugada, a polícia não passou informação alguma à imprensa, que é mantida longe do bloco onde fica o apartamento da vítima.   O seqüestro   O seqüestro começou às 13h30 de segunda-feira. Nayara, de 15 anos, foi libertada às 22h50 e os outros dois colegas que eram feitos reféns, ainda na noite de segunda-feira. Alves está armado com um revólver calibre 38 e uma pistola. O seqüestrador invadiu o imóvel porque estaria revoltado com o término do namoro. Seu objetivo era ficar sozinho com Eloá.   Para isso, convidou o irmão da menina, de 14 anos, para ir ao parque jogar bola, mas o deixou lá e voltou. Na hora em que o apartamento - no terceiro andar do bloco 24 - foi invadido, Eloá havia acabado de chegar da escola com Nayara, o namorado dela e um colega. Eles estudam na Escola Estadual José Carlos Antunes e iriam fazer um trabalho de geografia. "Ele disse que ela (Eloá) teve sorte de não estar só. Perguntou quem éramos e deu uma coronhada", contou João (nome fictício), 15 anos, um dos reféns. Para evitar contato com os familiares, tomou os celulares de todos e quebrou o modem do computador. Deu frutas, bolachas e água para eles jantarem.   A polícia soube do caso às 20h30, porque o pai de um dos garotos, estranhando a demora do filho, foi ao prédio, bateu na porta do apartamento e ouviu Nayara pedindo para ele se afastar. Ele, então, chamou a polícia. Quando a PM chegou, Lindembergue atirou duas vezes, mas ninguém foi atingido. O Gate começou a negociação por celular. O seqüestrador também conversou com familiares das jovens. O primeiro refém, João, foi solto às 21h15. "As meninas e meu amigo pediram para ele me libertar. Estava passando mal". O segundo foi libertado às 22 horas.   Na manhã de terça, Lindembergue apareceu na janela do apartamento. Durante o dia, também mostrou as garotas. Vizinhos e parentes acompanharam as negociações em frente ao prédio.   Lindembergue e Eloá namoraram durante três anos. Ele desmanchava e ela reatava. Mas da última vez, ela se recusou a retomar o relacionamento. Os dois moram no mesmo conjunto da CDHU.   "Ele disse que só sairia de lá morto, porque para a cadeia não iria", disse o comandante do Gate, Adriano Giovaninni. A polícia desligou a luz às 17 horas de terça. Lindembergue cortou as negociações às 18h50. Às 22h10 o seqüestrador pediu que a luz fosse religada e o Gate negociou a libertação de uma refém. A luz foi religada e às 22h50 de terça, quando ele soltou Nayara. (Com Daniela do Canto, do Jornal da Tarde)

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