PMs encerram greve no Ceará e policiais civis param

Ao contrário dos últimos dias, ontem lojas e repartições públicas de Fortaleza funcionaram normalmente

CARMEN POMPEU, ESPECIAL PARA O ESTADO , FORTALEZA, O Estado de S.Paulo

05 de janeiro de 2012 | 03h02

Resolvida a greve dos policiais militares e bombeiros, Fortaleza amanheceu ontem com 34 delegacias fechadas. Isso porque, na mesma noite em que o governo estadual e os PMs entraram em acordo, os policiais civis decidiriam radicalizar o movimento por melhores salários e que já se arrasta por cinco meses.

Mesmo tendo até a manhã de hoje para se apresentar ao trabalho, boa parte dos PMs e bombeiros já retomou as atividades. Com a volta do policiamento, o comércio e repartições públicas funcionaram normalmente. Segundo o capitão Wagner Sousa, presidente da Associação dos Profissionais de Segurança Pública do Estado do Ceará (Aprospec), todas as motos que haviam sido retidas pelos manifestantes voltaram às ruas. Cerca de 30 viaturas foram liberadas para o patrulhamento.

Os problemas com a segurança passaram a ser outros: depredações nos próprios distritos policiais esvaziados pela nova paralisação. Pela manhã, uma tropa do Exército ocupou o 30.º DP, no bairro São Cristóvão, onde algumas viaturas tiveram os pneus furados.

O primeiro ato do Sindicato dos Policiais Civis de Carreira do Estado do Ceará (Sinpoci) após a retomada da greve foi ocupar a sede da Delegacia Geral, no centro de Fortaleza. Segundo o Sinpoci, o objetivo é fazer com que o movimento atinja todas as delegacias.

Com a paralisação dos policiais civis, homens do Exército e da Força Nacional vão continuar no Ceará e só deixarão o Estado após ordem da presidente Dilma Rousseff. Por meio de um comunicado, o Exército informou que as tropas foram mobilizadas para promover a segurança de algumas delegacias e sedes da Polícia Civil. Segundo a nota, as medidas administrativas referentes às prisões continuaram sendo executadas.

Negociação. A presidente do Sinpoci, Inês Romero, reivindica para os civis o mesmo tratamento dado aos militares nas negociações. Ela reclama do fato de o governo cearense, ao longo de cinco meses, não atender a nenhuma das reivindicações e reagir com descontos nos salários.

Uma reunião entre o secretário de Segurança Pública e Defesa Social, coronel Francisco Bezerra, e os representantes dos grevistas, na tarde de ontem, terminou sem acordo e a paralisação continua.

O Sinpoci pede que os grevistas não sejam punidos e que 199 agentes que tiveram descontos no salário sejam ressarcidos. O sindicato também cobra o fim da exigência de nível superior para promoções na Polícia Civil e adoção da hora extra prevista na Constituição (em vez da "gratificação de serviço extraordinário" atualmente em vigor)

A principal exigência, no entanto, é o reajuste salarial. O sindicato pede que o salário dos policiais do Estado corresponda a 60% do subsídio de um delegado, que é de R$ 8 mil. Hoje, um policial civil no Ceará ganha inicialmente R$ 2 mil.

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