‘PMs do tráfico’ teriam executado funkeiro

Corregedoria investiga 2 soldados e 1 cabo que fariam execuções a mando de criminosos, na Baixada Santista; entre as vítimas, MC Primo

William Cardoso, O Estado de S. Paulo

02 de maio de 2012 | 22h50

SÃO PAULO - A Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo apresentou nesta quarta-feira, 2, três soldados suspeitos de participarem de execuções na Baixada Santista, a mando do tráfico de drogas. O órgão acredita ter evidências da participação dos policiais em pelo menos dois dos oito assassinatos que ocorreram no mês passado entre civis.

Segundo a Corregedoria, os envolvidos aproveitaram a morte de um PM no dia 10, morto em princípio por questões pessoais, para simular vingança e confundir as autoridades, quando na verdade executariam pessoas a mando do tráfico. O esquema incluiria ainda acusar policiais honestos de falsos crimes (a R$ 5 mil por caso) para facilitar a ação dos criminosos.

Entre os assassinatos está o de Jadielson da Silva Almeida, o MC Primo, de 28 anos. O ídolo do funk na região de São Vicente foi morto na noite de 19 de abril, quando chegava de carro em sua casa, no bairro do Jóquei Clube. A vítima só teve tempo de pedir para que a mulher e os dois filhos entrassem rapidamente na residência, ao ser abordado por uma motocicleta e um Fiat Uno.

Segundo testemunhas, o carona do Uno foi o primeiro a disparar contra MC Primo. Ele foi apontado como Anderson de Oliveira Freitas, de 29 anos. Um outro homem, com uma máscara do Mister M, na garupa de uma moto, veio em seguida e terminou de matá-lo.

O Instituto Médico-legal confirmou que o MC tinha 11 perfurações pelo corpo: quatro no tórax, duas na coxa direita, uma no ombro, três nas costas e uma no punho esquerdo. Um vizinho de Jadielson dirigiu o Polo até o Hospital Municipal, onde ele morreu. A morte do MC Primo, que chegou a ser candidato a vereador em 2008 pelo PSDB, em São Vicente, chamou a atenção para a série de crimes que ocorria na Baixada Santista.

Outro caso. Segundo uma testemunha, Caio Felipe Borges Filgueira, de 18 anos, foi assassinado três dias antes pelo soldado Edvaldo Leôncio Paulino, de 43 anos, e pelo cabo Gilberto Maciel, de 47 anos. Um outro rapaz teria sido baleado pela dupla, mas conseguiu escapar. Além do depoimento da testemunha, a polícia encontrou um estojo de munição .40, a mesma usada pela PM, de um lote destinado a 70 unidades da corporação.

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