PMs da Rota armam tocaia para matar pintor e acabam presos

Eles estavam em um carro particular e foram abordados por outros policiais em Sumaré, no interior; houve tiroteio e 2 cabos se feriram

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

13 Julho 2015 | 20h40

SOROCABA - A Polícia Civil de Sumaré, no interior de São Paulo, investiga o que teria motivado quatro policiais de tropas de elite da Polícia Militar do Estado a armar uma tocaia para assassinar o pintor Geovani da Silva Salustriano, de 22 anos, na madrugada do feriado de 9 de julho.

Dois dos policiais são das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) e um deles, o sargento Israel Nantes Santos, de 31 anos, atuava como comandante de equipe. O pintor sobreviveu a seis tiros. Os policiais foram presos e continuavam detidos na noite desta segunda-feira, 13. Eles respondem pelas tentativas de homicídio do pintor e de quatro PMs.

Em um Celta particular com placas adulteradas, os quatro policiais, sem fardas e armados com fuzis, pistolas e escopetas, esperaram a chegada de Salustriano na frente de sua casa, em Sumaré. Quando ele chegou, levou seis tiros dos policiais. Os tiros atingiram a cabeça, as costas e o ombro do homem, que foi alvejado mesmo caído.

Policiais em duas viaturas da PM local, que faziam patrulha no bairro, ouviram os disparos e surpreenderam os colegas entrando no Celta com as armas nas mãos. Ao receber ordem para largar as armas, eles reagiram e houve troca de tiros, mas conseguiram fugir em direção à Rodovia Anhanguera. O Celta acabou cercado por outros policiais já em Paulínia.

O sargento Nantes e o soldado Muller Pascoal de Oliveira Ferreira, de 26 anos, se apresentaram como policiais e disseram que tinham dois colegas baleados no carro - os cabos Joabe Rodrigues Saraiva, de 34 anos, da Rota, e Fábio Daniel da Silva, de 41, do Batalhão de Campinas.

Sem conseguir explicar a ação, os quatro policiais receberam voz de prisão. O sargento Nantes e o soldado Muller foram levados para o Presídio Militar Romão Gomes, em São Paulo. Saraiva e Silva passaram por cirurgia num hospital de Paulínia e ainda se recuperam dos ferimentos, mas estão presos sob escolta. Salustriano também continua internado e estaria sob vigilância. Familiares dele não foram localizados.

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