Wilton Junior/AE
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PMs alvejaram ônibus e feriram reféns no Rio; cúpula da Segurança admite erro

Em uma ação repleta de erros, PMs dispararam pelo menos 14 tiros contra um ônibus com 10 passageiros e feriram 4 pessoas no centro do Rio, anteontem. A passageira Lisa Mônica Pereira, de 46 anos, segue em estado grave, com hemorragia, após ter o pulmão perfurado por um tiro. Dois policiais reconheceram que atiraram contra o coletivo e a PM instaurou inquérito policial-militar.

Pedro Dantas e Tiago Rogero / RIO, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2011 | 00h00

Ontem, o comandante-geral da PM do Rio, coronel Mário Sérgio Duarte, que logo após a rendição dos bandidos e sem saber de feridos classificou a ação como "um sucesso", foi obrigado a recuar. "Os tiros não deveriam ter acontecido. Nós lamentamos pelas pessoas feridas, mas chegamos ao melhor resultado diante da tragédia que se anunciava. Vamos rever os procedimentos. Se tem inocentes feridos, houve erros", disse o comandante, que apontou "quebra de protocolo".

À noite, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, também criticou a ação. "Houve erro na forma com que a polícia tentou parar o ônibus", disse, sem deixar de elogiar a "bem-sucedida" negociação do Bope.

Na realidade, os PMs cometeram ao menos três erros. Os disparos feitos contra o veículo, a principal falha da ação, são uma conduta vetada em cursos de formação e aperfeiçoamento. Publicado pelo Instituto de Segurança Pública do governo do Rio, o Manual de Abordagem a Veículos e Edificações é enfático e chega a colocar termos em letras maiúsculas: "em caso de perseguição, NÃO ATIRE".

O ônibus da linha Praça 15-Duque de Caxias, com ar-condicionado e vidros escuros, foi abordado por quatro assaltantes na Avenida Presidente Vargas, na pista sentido zona norte, às 20h20. O motorista Wagner da Silva França, de 40 anos, desconfiou do grupo e sinalizou para policiais. No ponto seguinte, fugiu.

Na sequência, houve o primeiro erro policial: um PM entrou sozinho no ônibus, foi dominado, teve a arma roubada e foi expulso do coletivo. O policial pediu reforço e os criminosos colocaram um passageiro para dirigir. Na sequência, outro equívoco: os agentes montaram um bloqueio insuficiente com as viaturas. No entanto, quando o ônibus começou a se mover, buscando uma fuga, foi que aconteceu a ação de maior risco: policiais posicionados a 20 metros de distância atiraram. Segundo a perícia, 14 disparos atingiram a lataria.

Os passageiros disseram à polícia que os assaltantes Renato da Costa Júnior, de 21 anos, e Bruno Silva Lima, de 19, não atiraram. Eles se renderam após a chegada do Bope, às 21h35. Antes de o coletivo ser alvejado por policiais, dois assaltantes escaparam. A delegada assistente da 6.ª DP, Sânia Cardoso, ainda não descarta a participação de um quinto homem. Os acusados serão indiciados por roubo, receptação (uso de arma roubada no assalto) e formação de quadrilha.

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