PMs alunos da USP ficam no 'fogo cruzado'

Assim como o soldado Mathias, do filme Tropa de Elite, eles estão ou já estiveram entre a Polícia Militar - corporação para a qual trabalham - e as salas de aula - no caso, da Universidade de São Paulo (USP), onde estudam ou já estudaram. Também estão ou já estiveram inseridos no cenário da mais recente polêmica envolvendo a militância estudantil e a PM depois que três estudantes foram flagrados por policiais fumando maconha dentro de um carro na frente da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH).

LUÍSA ALCALDE / JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

13 Novembro 2011 | 03h02

Em meio aos confrontos, invasões de prédios e "tiroteio" em torno de opiniões divergentes sobre a presença da PM no câmpus está a capitã Ana Claudia de Paula, de 41 anos, relações públicas do Comando Geral da PM e pós-graduanda há um ano em Comunicação Corporativa na Escola de Comunicações e Artes.

"Na minha sala, há publicitários, profissionais de marketing e de tecnologia da informação e a maioria demonstrou apoio à corporação." Segundo ela, colegas universitários fizeram camisetas com a frase "Fora drogas", em apoio à ação policial, e prometem usá-las nesta semana.

A capitã virou alvo de curiosidade na semana passada. Colegas a cercaram para saber detalhes do planejamento da ação da Tropa de Choque na Reitoria. "Perguntaram surpresos sobre mudanças de postura da PM porque viram que policiais agiram sem violência."

Quando chegou à USP, foi questionada por colegas sobre o que faria se visse algum aluno fumando maconha. Naquela época, a PM ainda não patrulhava o câmpus. "Nunca vi. É claro que buscam locais não tão visíveis. Mas chamaria a pessoa para orientar. Se fosse grave, comunicaria à Reitoria." Por outro lado, como a aula terminava tarde da noite, também perguntavam à capitã se não poderia haver uma viatura na saída.

A também capitã Tânia Pinc, de 46 anos, da Central de Operações da Polícia Militar (Copom), concluiu estudos na FFLCH em julho. Foi aluna da USP desde 2005 e fez mestrado e doutorado em Ciências Políticas. Um de seus objetos de pesquisa é a abordagem policial. No início dos estudos, sentia que olhavam para ela como que questionando: "O que ela veio fazer aqui?".

"No meio acadêmico não há muitos grupos de pesquisa sobre a polícia e isso faz com que se conheça pouco da corporação", analisa. Por não haver debate sobre o assunto, diz, é comum que a comunidade relembre a postura da polícia do passado. "Mudou muito, mas poucos sabem."

Tânia disse que ficou entristecida com os recentes acontecimentos na USP, mas espera que sirvam para fomentar o debate no meio acadêmico. "Como estudante que fui, defendo o espaço universitário livre de opiniões e ideias, mas não isento de leis."

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