PM volta a dispersar usuários de crack

Depois de permitir que viciados fumassem crack durante toda a noite sem intervir, a Polícia Militar voltou a usar a força na manhã de ontem para dispersar a multidão de usuários de drogas que havia se aglomerado na cracolândia, região central. A ação começou por volta das 10h30, depois que o 'Estado' mostrou a tolerância a partir do fim da tarde de ontem e canais de televisão transmitiram imagens de dependentes consumindo crack diante de policiais.

ARTUR RODRIGUES , BRUNO PAES MANSO , DIEGO ZANCHETTA, O Estado de S.Paulo

14 de janeiro de 2012 | 03h03

Por volta das 11horas, quatro carros da Força Tática da PM revistavam cerca de 20 pessoas na Rua General Júlio Marcondes Salgado, na Santa Cecília, na região central. Na Santa Efigênia, vários usuários de drogas se concentraram nas esquinas das Ruas Guaianases e Aurora. Foi quando PMs armados de cassetetes chegaram para intervir e dispersar o grupo. No meio da correria, algumas pessoas caíram no chão. O helicóptero Águia, da PM, sobrevoava a área em baixa altitude. "Falaram que iam bater e saí correndo", afirma o pintor Agnaldo Caetano dos Santos, 39 anos, que vive há cinco anos na região da cracolândia.

Em nota, a polícia informou ontem que "não haverá mudanças na ação da PM na Nova Luz". E, citando o comandante-geral da PM, coronel Álvaro Batista Camilo, disse que os PMs que trabalham na Nova Luz foram orientados a "fazer intervenções da forma mais branda possível". "As abordagens só são feitas quando a polícia identifica o consumo ou o tráfico de drogas", afirmou.

A informação foi antecipada pelo coronel na edição de ontem do Estado. Dez dias depois do começo da operação, ele afirmou que as dispersões passariam a ser feitas "à base da conversa". O resultado, porém, foi a volta da aglomeração na Rua Helvétia e, na manhã de ontem, a dispersão à base de cassetetes. À tarde, a PM voltou a atuar para evitar que agrupamentos se formassem na esquina das Ruas Helvétia e Barão de Piracicaba. Desde as 13h, o que se viu foi a volta do "jogo de gato e rato", que havia sido travado desde o começo da operação. Quando grupos se juntavam, a PM vinha para dispersar com carros e motos.

Em reunião ontem no Ministério Público, Camilo disse que mais três bases comunitárias móveis serão instaladas na região nos próximos dias e voltou a afirmar que o objetivo da primeira fase da operação é desestruturar o tráfico de drogas..

Acuados. O padre Julio Lancellotti, da Pastoral do Povo de Rua, viu exagero na ação policial de ontem. Ele conta que ficou na linha de tiro dos policiais. "Ele parou em cima da moto e mandou um rapaz colocar a mão na cabeça. Se a arma dele disparasse, eu e duas defensoras públicas que estavam comigo poderíamos ter sido atingidos", relata. Segundo o padre, tanto a polícia quando os viciados estão "acuados" com a atual situação na área.

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