Felipe Resk/Estadão
Felipe Resk/Estadão

PM volta a atirar bomba no centro de SP após reintegração de posse

Uma mulher passou mal na região do Largo Paiçandu; vias continuam interditadas e manifestantes fazem barricadas

O Estado de S. Paulo

16 Setembro 2014 | 17h35

Atualizada às 20h37

SÃO PAULO - Por volta das 16 horas desta terça-feira, 16, a situação no centro da capital paulista voltou a ficar tensa após confrontos causados pela reintegração de posse de um prédio do Aquarius Hotel ocupado na Avenida São João. A PM voltou a lançar bombas de gás na região. Manifestantes fazem barricadas, interrompendo fluxo de veículos.  De acordo com a PM, durante todo o dia, nove pessoas foram detidas e 75 conduzidas para a delegacia por resistência e desobediência. Pelo menos 10 pessoas ficaram feridas, entre elas, cinco policiais. 

Entre os policiais feridos, um teve lesão no olho, um fraturou o tornozelo, outro queimou a perna e dois tiveram lesões nas pernas. Por causa das bombas lançadas pela polícia, possivelmente para dispersar os manifestantes, uma mulher passou mal por volta das 17 horas próximo à Rua Dom José de Barros, na esquina com a Itapetininga. Mais tarde, dois moradores de rua e que estavam na região foram feridos com estilhaços das bombas lançadas pela PM. Além deles, um homem que passava pelo local foi ferido no pescoço e levado ao hospital com intenso sangramento. 

Pelo menos duas equipes da Tropa de Choque estavam na região por volta das 19 horas, na tentativa de dispersar a multidão que se formava ao redor dos focos de incêndio. Ao menos três barricadas foram formadas pelos manifestantes no final da tarde desta terça. Na região, pelo menos oito prédios estão ocupados por sem-teto. 

O Corpo de Bombeiros chegou por volta das 18 horas para apagar as chamas. As equipes do Choque dão retaguarda ao trabalho da corporação. Os manifestantes pararam um ônibus por volta das 18h15 na altura do Largo Santa Ifigência e agrediram o motorista. O veículo foi apedrejado. 

A representante da Frente de Luta por Moradia Silmara Congo afirma que há dois ex-moradores da ocupação do Hotel Aquarius feridos. "O Choque dispara bombas de gás lacrimogêneo e ninguém sabe o porquê. Jogam do nada, acho que querem dispersar as famílias que continuam na frente do prédio. Mas estas pessoas não têm para onde ir".

De acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), a Avenida São João está totalmente interditada entre o Largo do Paiçandu e a Avenida Ipiranga. Segundo a SP Trans, as linhas que dão acesso ao centro pela Avenida Ipiranga, São João, Consolação e Rio Branco operam com desvios.

 

Manhã. Na manhã desta terça, a Polícia Militar e moradores de um prédio do Aquarius Hotel entraram em confronto. Após a confusão, uma batalha campal se estendeu por horas no centro, que teve uma manhã de barricadas, lojas depredadas, bombas de gás, ônibus queimado e comércio fechado. Ao menos cinco pessoas foram detidas. Além disso, cerca de 80 moradores foram levados ao 3º Distrito Policial (Campos Elíseos) e qualificados por "esbulho e dano", mas foram liberados. Ao menos oito pessoas ficaram feridas. 

 

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