Daniel Teixeira/AE
Daniel Teixeira/AE

PM veta citação de maconha em nova marcha

Ontem, manifestantes se reuniram com CET e policiais e se comprometeram a não bloquear a Paulista

Fábio Mazzitelli, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2011 | 00h00

A polícia paulista informou ontem que vai proibir qualquer referência a maconha e outras drogas na Marcha da Liberdade - passeata programada para amanhã à tarde na região central da capital. O ato foi convocado durante a semana por meio de panfletos e redes sociais na internet, em reação à repressão policial à Marcha da Maconha, no sábado passado, proibida pelo Tribunal de Justiça (TJ) sob o argumento de apologia ao crime e incitação ao uso de drogas.

A nova marcha, segundo os organizadores, será "pacífica e festiva" e terá como proposta a ampla defesa do direito de liberdade de expressão. Devem participar do ato grupos como movimento negro, mulheres que defendem a legalização do aborto e ciclistas que lutam por mais espaço no trânsito da metrópole.

A organização espera reunir de 2 mil a 3 mil pessoas. Eles planejam sair do vão livre do Masp, na Avenida Paulista, e seguir até a Praça da República, passando pela Rua da Consolação. Ontem, comprometeram-se a ocupar apenas duas faixas das vias, sem bloqueá-las.

Em reunião que definiu o trajeto e o deslocamento da nova manifestação, realizada ontem na sede do 7.º Batalhão da Polícia Militar (PM), que cuida da região central da capital, tanto a PM quanto a Polícia Civil deram ênfase ao entendimento que referências a substâncias entorpecentes serão interpretadas como apologia ao crime ou incitação ao uso.

"Nenhuma referência dessas será permitida", afirmou a delegada Victória Guimarães, titular do 78.º DP (Jardins), durante a reunião. "Qualquer apologia fará com que adotemos as providências necessárias", disse o major Marcos Félix, coordenador do 7.º Batalhão da PM.

Segundo os policiais, cartazes e faixas que façam defesa da descriminalização ou legalização das drogas, em especial a maconha, e outras manifestações nesse sentido serão reprimidos - o material será recolhido e os responsáveis serão levados ao distrito policial da área.

Embora tenham garantido que a nova passeata "não é uma Marcha da Maconha repaginada", os representantes da manifestação encaram a defesa da descriminalização ou legalização das drogas como um ato de liberdade de expressão. "Esse entendimento (da polícia) é uma interpretação enviesada por um tabu e por uma censura", afirmou o advogado Raul Ferreira, representante dos organizadores. "Se pessoas forem presas durante a nova marcha, esperamos que a polícia não jogue bomba", disse.

Justiça. Antes da Marcha da Maconha de São Paulo, o juiz Davi Capelatto havia concedido habeas corpus preventivo a 17 integrantes do movimento, sob argumento que a liberdade de expressão está garantida na Constituição. O desembargador Teodomiro Mendez, do TJ, derrubou a decisão, interpretando o ato público como apologia às drogas, a pedido do promotor criminal Walter Tebet Filho.

 

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