PM usa gás para dispersar protesto que fechou Radial

Duas pessoas acabaram presas e pelo menos uma foi ferida por estilhaços em tumulto que durou 2h e envolveu 300 passageiros

O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2012 | 03h05

Ônibus apedrejados, ruas fechadas, duas pessoas detidas e pelo menos uma ferida por estilhaços de vidro. Esse foi o saldo da manhã na região de Itaquera, na zona leste, onde passageiros indignados com o caos criado pela paralisação do metrô e dos trens entraram em confronto com a Polícia Militar. O tumulto envolvendo mais de 300 pessoas durou pelo menos duas horas, das 6h20 às 8h20.

Com a demora de mais de 40 minutos para entrar em um ônibus no começo da manhã, grupos de pessoas indignadas foram se formando nos arredores do Terminal Rodoviário de Itaquera. "Por volta das 6h30, passageiros estavam agitados e furaram os pneus de um ônibus", relatou o coronel Demarcio Arantes Teles, que comandava a operação da PM no local.

A multidão que se formou acabou fechando o sentido centro da Radial Leste. Uma hora depois, a população fechou a outra faixa da via. Em protesto, algumas pessoas viraram as marmitas no chão. Outros perderam a paciência e entraram nos ônibus pela janela. Um coletivo foi apedrejado e uma passageira teve um corte no rosto.

O Batalhão de Choque foi chamado para conter o tumulto, e usou balas de borracha e bombas de efeito moral. "Estava no ônibus quando começou. A polícia deu vários tiros de balas de borracha", relatou o agente de retenção Danjeferson Medeiros, de 42 anos.

Desacato. Um dos detidos durante a confusão foi o lavador Francisco de Souza, de 20 anos. Ele diz que foi pego por engano pelos PMs. "Eu estava no meio das pessoas e me trouxeram para a delegacia", afirmou. O rapaz conta que assinou termo circunstanciado por desacato a autoridade - a PM, porém, disse que ele é suspeito de atirar pedras em uma viatura. A copeira Rachel Cristina da Silva, de 33 anos, também foi detida (mais informações abaixo).

Munido de uma máscara do personagem do filme V de Vingança, que virou símbolo de manifestações contra o mercado financeiro, o publicitário Caio Gabriel Almeida Lima, de 19 anos, viu na bagunça oportunidade para protestar contra corrupção e a favor do voto nulo. "Aproveitei para divulgar minha campanha", contou ele, que conseguiu do chefe autorização para entrar mais tarde no trabalho.

Na zona sul, mais protesto. Por volta das 8 horas, passageiros revoltados queimaram jornais na Estação Jabaquara e tentaram abrir à força os portões que impediam a entrada dos passageiros.

Informação. Além da falta de trens, os passageiros sofreram com outro problema: a falta de informação nas estações que estavam abertas sobre qual o melhor caminho a seguir em meio ao caos. Funcionários da CPTM na Estação Luz confessavam que não tinham informação suficiente para auxiliar os passageiros com dúvidas. "Sou de uma estação no ABC e fui chamada para ajudar aqui. Nem sei como ajudar", afirmou uma servidora na linha de bloqueios./ARTUR RODRIGUES, CAMILA BRUNELLI E WILLIAM CARDOSO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.