PM usa 'cordão de isolamento' em protesto

Houve apenas um momento tenso, quando policiais lançaram spray de pimenta

BÁRBARA FERREIRA SANTOS, THIAGO MATTOS, O Estado de S.Paulo

03 de agosto de 2013 | 02h13

Os governadores paulista Geraldo Alckmin (PSDB), e do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), foram alvos de um protesto na noite de ontem em São Paulo, que reuniu cerca de 200 pessoas, segundo a Polícia Militar. A PM tentou uma nova estratégia: formou um cordão e circundou os manifestantes no início do ato, às 19h, na Avenida Paulista. Até as 21h, o único momento tenso ocorreu quando policiais lançaram spray de pimenta, na Rua dos Belgas.

Esta foi a terceira manifestação realizada em São Paulo na semana - as outras ocorreram na terça-feira e anteontem.

A concentração começou por volta das 18h, no Museu de Arte de São Paulo (Masp). Meia hora depois, o major Genivaldo Antônio abriu uma negociação para que não houvesse violência. "É um exercício de cidadania, mas precisamos manter a ordem."

Às 19h, o grupo bloqueou a mais importante avenida da cidade, no sentido Consolação, com cartazes com os dizeres: "Carioca é meu amigo. Mexeu com ele, mexeu comigo"; "Tucanoduto, eu quero resposta", "Cadê o Amarildo", "Fora Cabral" e "Denuncie Alckmin". Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), o congestionamento nesse horário foi de 266 km - o pico do dia.

Em seguida, os manifestantes bloquearam a outra pista da Paulista, na altura da Rua Pamplona, e continuaram caminhando. Às 20h, o grupo entrou na Avenida Brigadeiro Luís Antônio, no sentido do centro. Assustados, os comerciantes começaram a fechar as portas de seus estabelecimentos. "Você não sabe quem é quem", afirmou Sidney Silva, dono de uma loja de bolsas na avenida.

No cruzamento com a Rua 13 de, o grupo recuou e entrou na Rua dos Ingleses, despistando os PMs que estavam à frente.

O momento mais tenso ocorreu às 20h15, na Rua dos Belgas. O grupo pegava uma via para voltar para a Paulista e quando foi cercado. Policiais lançaram spray de pimenta e muitos manifestantes se jogaram no chão. Depois, colocaram máscaras. "Coloquei a máscara porque, se a polícia me atacar durante o protesto e eu reclamar, não quero ser preso arbitrariamente", disse o estudante que se identificou como R. O. Ribeiro, de 23.

Na Rua Conselheiro Carrão, um coronel negociou para que o bloco não voltasse para a Paulista. Dois grupos de manifestantes passaram a divergir sobre o trajeto e se acusar mutuamente de apoiar a PM. Não houve acordo, e os manifestantes entraram na Alameda Joaquim Eugênio de Lima até a Paulista.

No cruzamento das vias, os manifestantes votaram a definição do trajeto e, às 21h20, passaram a caminhar rumo à Assembleia Legislativa.

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