PM usa balas de borracha para dispersar usuários de droga no centro

3º dia de ocupação teve correria na Rio Branco e na Praça Princesa Isabel; polícia monitora região de Higienópolis e Santa Cecília

WILLIAM CARDOSO , BRUNO PAES MANSO , O Estado de S.Paulo

06 de janeiro de 2012 | 03h03

Um dia depois de Estado e Prefeitura anunciarem a estratégia de "dor e sofrimento" para esvaziar a cracolândia, houve confusão ontem no centro. A Polícia Militar disparou tiros de borracha e viaturas trafegaram na contramão atrás de viciados em droga, que fugiam entre carros e ônibus na Avenida Duque de Caxias. Moradores e comerciantes de Higienópolis e Santa Cecília também já reclamam de aumento de consumidores de crack.

Segundo o tenente-coronel Wagner Rodrigues, chefe do Estado Maior do Comando de Policiamento da Área Centro, os disparos foram necessários porque usuários começaram a chutar carros e ônibus. "Foi um caso pontual. Esperamos que não seja necessário repetir", afirmou.

Ontem, o que se viu na região da cracolândia foi uma espécie de jogo de gato e rato. Grupos se acumulavam nas imediações. Sempre que ganhavam volume, a PM os dispersava. Às 16h30, cerca de 100 usuários ocupavam a Praça Princesa Isabel e o canteiro central da Rio Branco, a cerca de 150 metros da antiga cracolândia, quando dezenas de policiais militares chegaram com apoio de carros da Força Tática e Cavalaria. Foi o começo da correria. Usuários foram em direção à Duque de Caxias, seguidos por PMs e guardas-civis. Na fuga, passaram a correr entre carros e ônibus. A PM reagiu, com pelo menos dois tiros de borracha. Três pessoas foram detidas.

A confusão afetou o comércio na região. Nas lojas ao redor da Praça Princesa Isabel, vendedores passaram boa parte da tarde na porta assistindo às constantes idas e vindas de dependentes. "Mesmo aqui dentro, os clientes ficam com medo de serem atacados. E com toda a razão. Atrapalhou bastante o nosso trabalho, caiu muito o movimento", afirmou a vendedora Francisca Paulino, de 44 anos.

Migração. A presença policial na área também continua fazendo com que usuários de drogas migrem para outros bairros. Rodrigues diz que foram identificados quatro novos pontos de concentração: além da Praça Princesa Isabel, Avenida Angélica, Largo Santa Cecília e República.

Moradores e comerciantes de Higienópolis dizem que, por enquanto, a concentração de "noias" no bairro é apenas na divisa com Santa Cecília, no início da Avenida Angélica. "Sabemos que esse é um reflexo natural, por isso esperamos que o policiamento seja reforçado. A PM deve proteger os moradores", diz Pedro Ivanow, presidente da Associação Defenda Higienópolis.

Na Rua Apa, em Santa Cecília, cerca de 50 usuários se aglomeravam na tarde de ontem. Quando a PM se aproximava, eles fugiam, para retornar minutos depois. "Vivo por aqui e percebi que muitos dos que estavam lá na cracolândia vieram para cá", afirmou Tatiana Santana, de 30 anos, usuária de crack há três. Ela também notou aumento na presença da PM. "A Rota não aparecia tanto por aqui, agora aparece."

Sucateiro, Eduardo Ferreira, de 47 anos, percebeu nos últimos três dias mudança no perfil das pessoas que o procuram na Rua General Júlio Marcondes Salgado para vender material. "Eles trazem placas, letras de bronze, pedaços de hidrante. Nem compro, porque sei que vai dar problema."

Cerca de 30 minutos depois da ação policial ontem na Duque de Caxias, um novo grupo, com cerca de 50 usuários, voltou a se formar no canteiro central da Rio Branco. A PM novamente atuou e usuários correram. Vários foram revistados. Mais uma vez, o bando se dispersou. A movimentação era acompanhada do alto pelo helicóptero Águia. / COLABOROU FELIPE FRAZÃO

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