PM usa bala de borracha e gás lacrimogêneo em 'rolezinho'

Três mil jovens se reuniram no shopping Metrô Itaquera e lojistas fecharam as portas

Bruno Ribeiro e Marina Azaredo, O Estado de S. Paulo

11 de janeiro de 2014 | 22h00

Um “rolezinho” acabou em confusão, no início da noite de ontem, no Shopping Metrô Itaquera, zona leste de São Paulo. A Polícia Militar usou bombas de gás lacrimogêneo e balas de barrocha para dispersar cerca de 3 mil jovens, enquanto lojistas fechavam as portas. 

Segundo a assessoria de imprensa do shopping, as lojas abaixaram as portas por volta das 18h30 por questões de segurança, mas reabriram às 19h30. Ainda segundo a assessoria, não houve registros de furtos. 

À tarde, boato de evento semelhante levou seguranças a barrarem até funcionários no Shopping JK Iguatemi, na zona sul. O “Rolezaum no Shoppim JK” teve cerca de 2.200 confirmações no Facebook, mas segundo o próprio criador, o professor de Inglês Giancarlo Ferreira, de 23 anos, tudo não passava de uma brincadeira. “Estamos buscando nossa criança interior e essa é apenas uma maneira de conectar pessoas em um ambiente seguro e confortável”, disse.

Os responsáveis pelo centro de compras de luxo na zona sul não levaram a história na brincadeira e não quiseram arriscar. As portas de abertura automática permaneceram desligadas até por volta das 16h, e os seguranças organizaram uma espécie de “seleção” na entrada. 

Menores de idade (ou quem parecesse menor de idade) desacompanhados eram barrados e só podiam entrar se comprovassem trabalhar no local. “Eu cheguei e me pediram um documento. Quando apresentei, eles perguntaram se eu trabalhava aqui e pediram um cartão da loja. Aí não explicaram nada e me deixaram entrar”, comentou Enock Reis, de 21 anos, vendedor da Luigi Bertolli.

Na entrada do shopping, um cartaz avisava que o “Rolezaum” tinha sido proibido por uma liminar de Justiça e os participantes poderiam receber multas de R$ 10 mil . “A imprensa tem noticiado reiteradamente os abusos cometidos por alguns manifestantes. Ressalta-se que não se pretende impedir o direito de manifestação, mas este deve ser exercido dentro de limites que facilmente se extraem da interpretação sistemática do arcabouço constitucional”, diz a liminar do juiz Alberto Gibin Villela, da 14.ª Vara Cível da Comarca de São Paulo.

Assim como o JK, outros shoppings da capital e do interior conseguiram liminares com multas de até R$ 10 mil para evitar “rolezinhos”. Em São Paulo, o Campo Limpo e o Metrô Itaquera obtiveram sucesso. Em Campinas, os Shoppings Iguatemi e Dom Pedro também ganharam liminares semelhantes. 

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