PM troca coronel que vai investigar ação do Gate no caso Eloá

Coronel que comandava apuração emitiu opinião e foi afastado; promotor também vai acompanhar investigação

28 de outubro de 2008 | 09h53

O coronel da Polícia Militar, Eliseu Leite Morais, foi afastado das investigações sobre o seqüestro de Eloá Cristina Pimentel. Após o afastamento, o caso deve ser comandado pelo coronel Paulo César Franco. O afastamento aconteceu na sexta-feira, 24, conforme adiantou o Estado. Um dos motivos para o afastamento foi a exposição do coronel na mídia. O Ministério Público Estadual também designou um promotor para acompanhar a instrução do Inquérito Policial Militar (IPM) que investiga o seqüestro de quase 101 horas em Santo André, quando Lindemberg Alves, de 22 anos, manteve a ex-namorada refém. Na sexta-feira, 17, policiais do Gate invadiram o apartamento onde Eloá era mantida refém e o seqüestrador atirou contra ela e a amiga Nayara Rodrigues da Silva, ambas de 15 anos.  Veja também:Polícia finaliza inquérito e indicia Lindemberg e pai de EloáPerguntas e respostas sobre o caso Eloá  Especial: 100 horas de tragédia no ABC   Mãe de Eloá diz que perdoa Lindemberg Imagens da negociação com Lindemberg I  Imagens da negociação com Lindemberg II  Especialistas falam sobre o seqüestro no ABC Galeria de fotos com imagens do seqüestro  Todas as notícias sobre o caso Eloá        Além da exposição na mídia, o coronel também foi afastado por ter omitido sua opinião pessoal sobre o caso, segundo a PM. A decisão foi tomada, segundo a PM, por causa da repercussão da entrevista concedida pelo coronel Eliseu Leite de Moraes após o depoimento de Nayara. Antes mesmo de concluir a investigação, o oficial declarou não ter havido erros dos policiais no episódio que terminou com uma refém morta e outra ferida.  O inquérito sobre o seqüestro foi finalizado na sexta-feira, 24. Lindemberg Alves, de 22 anos, foi indiciado por quatro crimes por ter matado a ex-namorada, Eloá Cristina Pimentel, de 15 anos, após mantê-la, junto com a amiga Nayara Rodrigues da Silva, refém por mais de 100 horas. A surpresa foi o delegado Sergio Luditza, titular do 6.º Distrito Policial de Santo André, também ter indiciado o pai de Eloá, Everaldo Pereira dos Santos, por três crimes. A promotoria deve fazer denúncia até a próxima quinta-feira, 30.  No documento entregue ao promotor Antônio Nobre Folgado, Lindemberg é indiciado por homicídio doloso, pela morte de Eloá; duas tentativas de homicídio, por ele ter atirado em Nayara e contra um tenente da PM enquanto estava no cativeiro; porte ilegal de arma e periclitar a vida. Já o pai de Eloá, conhecido em São Paulo como Aldo José da Silva, foi indiciado por falsidade ideológica, porte de documento falso e porte ilegal de arma. O pai da garota foi indiciado, segundo o delegado, por ter se apresentado a polícia com o nome falso no início do seqüestro e porque uma das armas usadas por Lindemberg no apartamento - uma espingarda - pertencia a ele. Santos está foragido da polícia de Alagoas, acusado de participar da chamada "gangue fardada". Na ficha dele constam quatro homicídios, entre eles o do delegado Ricardo Lessa - irmão do ex-governador Ronaldo Lessa. Segundo o delegado, Lessa investigava a "gangue fardada", grupo de extermínio formada por policiais, da qual o pai de Eloá faria parte. Ele foi cabo em Alagoas até 1993. Texto alterado às 12 horas para acréscimo de informações. (Com informações de Solange Spigliatti, do estadao.com.br)

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