André Mourão/Agência O Dia
André Mourão/Agência O Dia

PM tira chefes de UPP investigada por corrupção

Trinta dos 206 policiais da unidade que cuida dos morros Coroa, Fallet e Fogueteiro, no Rio, são suspeitos de receber propinas dos traficantes

Fábio Grellet / RIO, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2011 | 00h00

Policiais que atuam na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Coroa, Fallet e Fogueteiro, morros do Rio Comprido, na zona norte do Rio, recebem propina para não combater o tráfico de drogas naquela região. A denúncia, publicada ontem pelo jornal O Dia, foi confirmada pelo comandante da Polícia Militar, coronel Mário Sérgio Duarte.

Duarte não divulgou o número de policiais envolvidos no esquema de corrupção - 30 dos 206 que compõem o efetivo da UPP, segundo O Dia -, mas afirmou que o caso é investigado em um inquérito que deve ser concluído nesta semana. A investigação está sendo feita pelo próprio Comando de Polícia Pacificadora. O chefe desse comando, coronel Robson Rodrigues, afirmou ontem que vai afastar o comandante da UPP, capitão Elton Costa, e o subcomandante, tenente Medeiros. O nome do novo comandante não foi divulgado.

Segundo Rodrigues, o afastamento dos comandantes e de outros policiais não indica necessariamente o envolvimento deles com o esquema. A PM não confirmou o volume de dinheiro movimentado pelo esquema - segundo O Dia são R$ 53 mil mensais no total, em parcelas de R$ 400 a R$ 2.000 para cada policial.

Rodrigues afirmou que a denúncia foi feita por moradores à PM, e o caso é investigado há semanas. Na última segunda, três policiais dessa UPP estavam de folga quando foram presos na comunidade pela Coordenadoria de Polícia Pacificadora com R$ 13.400 cuja origem eles não souberam explicar. O dinheiro estava dividido em envelopes com nomes de policiais.

Os PMs (dois soldados e um sargento) foram presos administrativamente, mas já estão livres. Eles deixaram de trabalhar na rua e agora desempenham funções internas. Segundo O Dia, o sargento é o responsável por negociar com os bandidos.

Dois ataques a PMs podem ter relação com o esquema de corrupção. Em junho, criminosos lançaram uma granada contra três PMs que patrulhavam o morro do Fallet. Um dos policiais perdeu parte da perna direita e fraturou o braço. Os outros sofreram escoriações. Anteontem, também no Fallet, dois policiais investigavam uma denúncia de tráfico e tentaram abordar um grupo de oito a dez homens. Eles reagiram a tiros, e um dos policiais foi baleado. Segundo a polícia, deve ficar paraplégico. Nos dois casos, os policiais atacados teriam se recusado a entrar no esquema de corrupção da UPP.

"Por enquanto não podemos prestar informações detalhadas, porque o caso está sendo investigado. Mas os policiais que comprovadamente estiverem envolvidos serão expulsos e processados", disse o comandante da PM. Inaugurada em fevereiro, essa UPP atende 13 mil moradores e foi a 15ª das 17 unidades existentes. A denúncia é o sétimo problema em comunidades com UPPs em menos de dois meses. Conflitos entre policiais e criminosos ou moradores revoltados com ordens da polícia ocorreram no morro do Turano, na Cidade de Deus, na Providência, no morro de São Carlos e dos Macacos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.