PM terá caminhões com canhões de água

Após protestos que terminaram em confrontos e feridos, comando da corporação anuncia que comprará equipamentos para controlar tumultos

FÁBIO FABRINI / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2013 | 02h04

Após os confrontos que terminaram com feridos nos protestos de junho, a Polícia Militar de São Paulo decidiu comprar veículos especiais para dispersar multidões com jatos de água e tinta. O comandante-geral da PM, coronel Benedito Roberto Meira, anunciou ontem a abertura de licitação internacional para adquirir os equipamentos, entre eles quatro caminhões.

O Comando da PM trabalha nos detalhes do edital, mas ainda não há uma data definida para lançá-lo. A previsão é que sejam gastos US$ 30 milhões (R$ 67,5 milhões). A ideia é que a frota esteja disponível na Copa de 2014, na eventualidade de uma nova onda de motins. "É para o ano que vem. Quem imaginava que haveria protestos dessa magnitude (na Copa das Confederações)? Não sabíamos que iriam encorpar tanto assim", disse o coronel.

Os caminhões, do tipo riot control (controle de tumulto), oferecem alternativas ao gás lacrimogêneo. Embora também dispersem o material, podem lançar primeiro jatos de água pura ou com tinta que colore as roupas dos manifestantes. Isso facilitaria a identificação dos que se envolvem com violência.

A técnica de dispersão com água foi usada recentemente nas manifestações na Turquia. Segundo o coronel, nenhuma PM brasileira tem os caminhões especiais. A do Rio, no entanto, adaptou um veículo, que faz um riot control improvisado. "O Estado não investiu muito em equipamentos de controle de distúrbios civis", explicou, adiantando esperar que tudo seja recebido até janeiro.

Além dos veículos especiais, a PM comprará para a Tropa de Choque cartucheiras semiautomáticas de calibre 12 para emprego em incursões em áreas consideradas de risco, dois robôs para desarmar bombas e carros blindados para transporte de policiais. "Não é caveirão, hein?", ponderou Meira.

Apesar das novas tecnologias, ele disse que as balas de borracha continuarão no menu da PM paulista em protestos futuros. "Se houver necessidade, vamos usar, com os mesmos critérios", disse o coronel, lembrando dos ferimentos (até de jornalistas) causados pela munição. "Em São Paulo, fui eu que suspendi. Não por causa de críticas, mas porque causa realmente uma lesão, ofende a integridade física. Não foi feito com essa finalidade, mas pode atingir."

Regras. O comandante participou ontem, em Brasília, de encontro das cúpulas das PMs no Ministério da Justiça. Na reunião, discutiu-se a adoção de um protocolo padronizado para as corporações de todo o País adotarem em protestos. Atualmente, cada Estado tem critérios próprios para definir como agir no controle de motins e em que circunstâncias usar balas de borracha, gás lacrimogêneo e spray de pimenta.

A secretária nacional de Segurança Pública, Regina Miki, afirmou que os abusos foram pontuais nos protestos de junho. "Em outros países, manifestações muito menores terminaram em morte. Mas estamos em processo de aprimoramento. Nossa avaliação é que as polícias garantiram a Copa das Confederações."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.