‘PM sabia bem o que estava fazendo quando atirou’, diz testemunha

O vendedor ambulante Carlos Augusto Muniz Braga morreu após ser atingido por disparo de um PM durante abordagem na Lapa

Fabiana Cambricoli, O Estado de S. Paulo

19 Setembro 2014 | 03h00

SÃO PAULO - Namorada do camelô Isaías de Carvalho Brito e testemunha da abordagem policial nesta quinta-feira, 18, na Lapa, a também vendedora Débora Aragão, de 43 anos, afirmou que o tiro disparado pelo policial militar que matou Carlos Augusto Muniz Braga foi intencional e não acidental, como a Polícia Militar defendia inicialmente.

“Antes mesmo do tiro, o policial já estava o tempo todo com a arma em uma mão e o spray de pimenta na outra. Ele apontava para todo mundo que chegava perto, tanto é que eu me afastei. Aí quando Braga tentou defender Brito, o policial atirou. Ele sabia bem o que estava fazendo. Não foi acidental”, contou.

Débora afirma que Braga e os outros ambulantes não estavam querendo confusão, só estavam pedindo aos policiais que soltassem Brito e não o agredissem.

“Antes de atirar, o policial ficou falando que Brito tinha desafiado ele, que era desacato. E todo mundo dizendo que não era. Braga era nosso conhecido, mas trabalhava em outro ponto da rua, um pouco mais para cima. Ele estava passando ali naquela hora porque estava indo buscar o filho na escola. Só foi tentar ajudar o amigo e acabou morto.”

A mulher da vítima esteve no 91.º DP (Ceagesp) nesta quinta-feira e começou a gritar e chorar muito quando viu o policial que atirou em seu marido. Abalada, ela não quis falar com os jornalistas.

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