Werther Santana/Estadão<br>
Werther Santana/Estadão

PM reintegra prédio após início de incêndio no centro de SP

Caminhões auxiliaram na mudança das cerca de 340 pessoas que estavam no local; desocupação ocorre sem mais incidentes

Marco Antônio Carvalho, O Estado de S. Paulo

23 de outubro de 2014 | 09h52

Atualizado às 11h04

A Polícia Militar realiza na manhã desta quinta-feira, 23, uma reintegração de posse de um prédio de 11 andares no centro de São Paulo. A ação teve início conturbado com registro de um incêndio no imóvel, mas as chamas foram controladas e a desocupação ocorre agora de forma pacífica.

Cerca de 340 pessoas estavam no local desde abril desse ano e nesta quinta retiram móveis, eletrodomésticos e demais pertences do imóvel. Caminhões de mudança auxiliam a retirada dos objetos. "Algumas famílias seguirão para outros prédios ocupados e outras pessoas ficarão na rua, infelizmente", disse a coordenadora da Associação Novo Olhar, Maura Honorato Campos.

O cumprimento da ordem judicial de reintegração de posse teve início nas primeiras horas da manhã desta quinta, quando chamas foram notadas no 8º e 10º andares do prédio. O Corpo de Bombeiros foi acionado e controlou o incêndio, que não deixou feridos. Só então a PM deu prosseguimento à ação. Ninguém foi detido.

De acordo com o advogado Sergio Ribeiro, que representa a Associação responsável pela ocupação, o incêndio não foi causado por moradores. "Enquanto as pessoas estavam tirando os pertences, alguém entrou no prédio e fez a baderna", disse.

Ao menos 10 viaturas da PM e uma do Corpo de Bombeiros ainda permanecem posicionadas na Praça da República enquanto a saída dos moradores não é finalizada. O advogado da associação reclamou da decisão de reintegração. "É direito do proprietário ter o imóvel de volta? É. Mas é direito dos moradores ter uma moradia e a Prefeitura devia ou pagar hotel ou alojar em imóvel público", disse Ribeiro.

Justiça. A Secretaria de Segurança de São Paulo informou em nota que a desapropriação do local foi determinada pelo juiz Marcos Roberto de Souza Bernichi, da 5ª Vara Cível do Foro Central. Ao todo, 33 salas comerciais do edifício haviam sido ocupadas pelos moradores.

Ainda segundo a Secretaria, a PM participou de reunião com representantes dos moradores, o proprietário do imóvel e órgãos que dariam apoio à ação. "A reunião serviu para avaliar os riscos da operação e orientar quanto aopapel que os policiais do 7º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano(BPM/M) exercerão, de garantir a segurança dos moradores", informou.

O imóvel também faz parte de um processo de desapropriação pela Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo (COHAB) para programa habitacional. A ação na 2ª Vara de Fazenda Pública começou em 2012, após o decreto que declarou o local de interesse social.

 

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