PM quer reabrir o Obelisco no dia 2

Fechado desde 2002, monumento aos que morreram na Revolução de 1932 está na reta final de restauro, que custou R$ 10 milhões

Edison Veiga, O Estado de S. Paulo

07 Setembro 2014 | 02h02

Cerca de 50 operários trabalham intensamente em um dos maiores símbolos do orgulho paulista. Fechado por má conservação desde 2002, o Obelisco Mausoléu ao Soldado Constitucionalista de 1932 - mais conhecido simplesmente como Obelisco do Ibirapuera - deve ser reaberto no dia 2. 

Quem garante é a arquiteta e tenente-coronel Elaine Alma Lodi, chefe do Centro Integrado de Apoio Patrimonial da Polícia Militar - órgão designado pelo Estado para capitanear os trabalhos de recuperação do obelisco, cujas obras foram iniciadas em 9 de julho do ano passado e, até o término, deverão custar R$ 10 milhões aos cofres públicos. "Falta muito pouco para a conclusão", explica a tenente-coronel, em visita técnica ao local na companhia da reportagem do Estado. "Algumas esculturas do lado externo estão sendo reconstruídas e o monumento ainda vai passar por uma última limpeza geral."

No subsolo, o trabalho também continua. Ali estão os restos mortais dos estudantes Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo (que deram origem ao famoso acrônimo MMDC), do jornalista Guilherme de Almeida (o "poeta de 32"), do jurista Ibrahim de Almeida Nobre (o "tribuno de 32"), do agricultor Paulo Virgínio (o "herói de Cunha"), e de outros 713 ex-combatentes, cujas cinzas ficam guardadas em columbários.

Esses conjuntos de urnas, aliás, eram oito - em um total de 432 nichos. "O restante das caixinhas com as cinzas ficava guardado em uma sala", conta a arquiteta. Com as obras, outros oito columbários foram construídos, de modo que haverá vagas caso familiares de outros ex-combatentes reivindiquem espaço para transferir restos mortais para o mausoléu. 

Infiltração. Mas a principal conquista da obra foi resolver o problema de infiltração de água. "Foram escavados cerca de 4 metros de terra de todo o entorno. Então, instalou-se uma manta de impermeabilização", diz a tenente-coronel.

Os herdeiros do artista Galileo Emendabili (1898-1974), autor do conjunto artístico e arquitetônico, estão ansiosos pelo fim da obra. Em 2004, quando uma patrocinadora topou bancar o restauro do monumento, eles entraram na Justiça e contra o "envelopamento" publicitário do obelisco - que seria a contrapartida da empresa. A causa está em terceira instância mas a obra, na ocasião, foi interrompida. Do ano passado para cá, eles mantiveram um distanciamento dos trabalhos. "Mas se houver desvirtuamento (do projeto original), vou mandar demolir", avisa o advogado Paolo Emendabili Souza Barros de Carvalhosa, neto do artista. "Espero que no dia da inauguração esteja presente e muito feliz pela memória do meu pai", comenta a também advogada Fiammetta Emendabili, filha e curadora da obra de Emendabili. 

O coronel Mário Fonseca Ventura, presidente da Sociedade Veteranos de 32-MMDC, diz-se satisfeito com o resultado. "Foi uma longa luta. Estou felicíssimo em ver esse trabalho na reta final." Neto de veteranos por parte de pai e de mãe, o publicitário Ricardo Della Rosa - que mantém o blog Tudo Por São Paulo 1932 (www.tudoporsaopaulo.com.br) - é outro que está ansioso pela reabertura. "Trata-se do local que fala mais alto na alma do paulista."

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