PM quer base no câmpus, mas tema divide a comunidade acadêmica

Secretário diz que é possível reforçar policiamento na Cidade Universitária, mas precisa de uma solicitação formal do conselho da USP

Bruno Paes Manso, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2011 | 00h00

O secretário de Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, disse ontem que o governo tem condições de colocar uma base da Polícia Militar e reforçar o patrulhamento no câmpus Butantã da Universidade de São Paulo (USP), na zona oeste da capital. Ferreira Pinto ainda aguarda um posicionamento da reitoria para tomar a decisão. "A USP sempre foi refratária à atuação mais efetiva da PM, o que acaba dificultando o trabalho. Ficamos à disposição da reitoria, que agora vai ouvir o conselho do câmpus para definir a situação", disse.

 

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O patrulhamento na Cidade Universitária havia sido reforçado em 25 de abril, por causa do número crescente de furtos de carros. Até março, foram quatro casos. Em abril, com a volta às aulas, pularam para 17. Até então, uma viatura fazia a patrulha permanente na área.

Depois de reuniões com a reitoria, o 16.º Batalhão, que atua na região, colocou mais 12 homens para patrulhar o câmpus com quatro novas viaturas e duas motos. Dois bloqueios passaram a ser feitos diariamente. "Conseguimos bom resultados. Desde que iniciamos a operação até ontem, haviam sido registrados só dois novos furtos. O assassinato foi uma fatalidade", disse o major José Luiz de Souza, comandante interino.

Chamado. Na hora do crime, a PM efetuava um bloqueio na altura do portão 3, perto do Hospital Universitário. Os policiais receberam a informação do homicídio pelo Copom às 22h. A ocorrência foi às 21h30. Mas os guardas universitários que testemunharam o crime e a fuga dos ladrões não haviam anotado os dados do carro. "A escassez de informações restringiu a ação da PM naquele momento", disse.

O coronel Theseo Toledo, do Comando Regional Oeste da PM, acredita que a restrição à entrada de carros e pedestres na Cidade Universitária poderia ajudar o trabalho dos PMs.

A proposta chegou a ser debatida no ano passado na reitoria, mas não avançou. A intenção era colocar adesivos nos carros de professores, funcionários e alunos. "O muro que divide a USP da Favela São Remo está sempre quebrado e também merece atenção, já que os arredores da região são os lugares mais vulneráveis do câmpus."

A vice-presidente da Associação dos Treinadores de Corrida, Martha Dallari, que representa parte dos 10 mil atletas que frequentam aos sábados o câmpus, é contra a restrição de carros. "Quanto mais gente, mais seguro. Somos assaltados em lugares ermos." / COLABOROU WILLIAM CARDOSO

REPERCUSSÃO

Geraldo Alckmin, governador

"As universidades paulistas, a USP, a Unesp e a Unicamp, têm autonomia universitária. Mas, se for requisitada a polícia, ela estará presente nos câmpus"

João Zanetic, presidente da Associação dos Docentes da USP

"Sou contra a base da PM. Tive o carro furtado no câmpus em setembro, mas acho que esse é um problema de toda a sociedade e não só da USP"

Hélio Bicudo, presidente da Fundação Interamericana de Direitos Humanos

"A PM não está preparada para fazer o policiamento nas ruas. A solução será a própria faculdade cuidar da segurança"

Roberto Porto, promotor de Justiça

"Corro há anos na USP diariamente e são comuns furtos e roubos a corredores e ciclistas. A PM é bem-vinda e poderia atuar até mesmo de bicicleta"

 

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