PM que confundiu arma com furadeira fica livre

Justiça absolve cabo do Bope que matou por engano morador do Andaraí que usava a ferramenta na varanda de casa; ainda cabe recurso da decisão

FÁBIO GRELLET / RIO, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2012 | 03h05

O policial militar Leonardo Albarello, cabo do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), foi absolvido pela Justiça da acusação de ter matado um homem que segurava uma furadeira durante operação policial para prender traficantes de drogas no Andaraí, zona norte do Rio, em 19 de maio de 2010.

O policial, que àquela época atuava na corporação há dez anos, confundiu a furadeira com uma arma e disparou um tiro de fuzil contra a vítima. O supervisor de supermercado Hélio Barreira Ribeiro, de 47 anos, que estava na varanda de casa fixando uma lona com o equipamento, teve o pulmão perfurado e chegou a ser hospitalizado, mas morreu. A Polícia Militar admitiu o engano e, à época, classificou o episódio como "infeliz".

A absolvição do cabo foi pedida pelo próprio Ministério Público e a sentença foi emitida pelo juiz Murilo Kieling Pereira, da 3.ª Vara Criminal do Rio. Cabe recurso da decisão.

Em sua sentença, o juiz destacou que a "presença de vasos do tipo xaxim pendurados no terraço (da casa da vítima)" dificultava a identificação do objeto que Hélio tinha nas mãos.

Segundo a família de Hélio Barreira Ribeiro, ele estava acompanhado da mulher quando fazia o serviço em casa e, ao observar os primeiros policiais transitando pelo bairro para começar a operação policial, chegou a comentar com ela sobre o risco de ter a furadeira confundida com uma arma.

A mulher nem teve tempo para responder, pois, segundos depois, o marido foi baleado. Os próprios policiais prestaram socorro, ao constatar o equívoco.

Duas versões. Na ocasião, a família de Ribeiro afirmou que o policial não deu nenhum alerta antes de atirar.

Já a Polícia Militar disse que Albarello gritou antes de efetuar o disparo contra ele. A corporação afirmou que o policial pode ter agido conscientemente, supondo que Hélio empunhava uma arma, mas cometeu um equívoco.

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