PM oferece 'uniforme' à imprensa; ato na Paulista teve 9 jornalistas feridos

Segundo a polícia, 'jaleco' possibilitaria identificação imediata. Para Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, agressão de PMs contra repórteres e fotógrafos é prática de 'contextos autoritários'

Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo

14 Janeiro 2016 | 09h13

A Polícia Militar, de forma "voluntária e cortês", como afirma em nota, ofereceu o empréstimo de uniforme para identificar repórteres e fotógrafos na cobertura das manifestações contra o aumento da tarifa. Em nota divulgada após o ato na Avenida Paulista na terça-feira, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) afirmou que imagens registradas por câmeras de celulares e equipes de TV mostram que, mesmo identificados, os profissionais da imprensa foram alvo de golpes de cassetete, empurrões e bombas. Segundo a Abraji, nove jornalistas foram agredidos pela PM.

Para a associação, as "agressões de policiais contra profissionais da imprensa durante o exercício de suas atividades é prática característica de contextos autoritários". A Abraji cobrou que a Secretaria de Segurança Pública (SSP) apure "abusos registrados" e pediu a punição dos responsáveis. 

No texto enviado a jornalistas, a PM diz que o "jaleco" é uma forma de contribuir e auxiliar a cobertura das manifestações "em que possa existir o risco potencial à integridade física". Segundo a nota, o uniforme possibilitaria, principalmente por parte da polícia, a identificação imediata como membro de um órgão de imprensa. 

"Sua utilização, no entanto, não exime o usuário de adotar condutas e procedimentos de segurança que visem a resguardar sua integridade física durante a cobertura do evento nos momentos que haja a configuração de total quebra da ordem pública, onde possa haver a necessidade de atuação enérgica das forças de segurança para a contenção e ou dissuasão de manifestantes baderneiros e de comportamento agressivo", informou a PM.

De acordo com contagem do Estado, os policiais explodiram uma bomba a cada sete segundos na Paulista, para dispersar os manifestantes. O Movimento Passe Livre (MPL) convocou dois protestos simultâneos nesta quinta-feira, 14, às 17 horas, no Largo da Batata e no Teatro Municipal. 

Veja abaixo a lista dos 9 jornalistas que, conforme a Abraji, foram agredidos durante ação policial:

Fernanda Azevedo, da TV Gazeta; Pedro Belo, da equipe de vídeo da Veja São Paulo; Márcio Neves, videorrepórter do UOL; Alice Vergueiro, fotógrafa da Folhapress; Francisco Toledo, fotógrafo da agência Democratize; Camila Salmazio, repórter da Rede Brasil Atual; Felipe Larozza, fotógrafo da Vice; Raul Dória, fotógrafo freelancer; Alex Falcão, fotógrafo da Futurapress; e Caio Cestari, fotógrafo autônomo.

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