PM ocupa cracolândia, mas só afasta usuários de droga por alguns metros

Três pessoas foram presas ontem em operação contra o tráfico que deve durar pelo menos um mês; uso de crack, porém, não parou

ADRIANA FERRAZ, NATALY COSTA, O Estado de S.Paulo

04 de janeiro de 2012 | 03h03

A Polícia Militar ocupou ontem a região conhecida como cracolândia, no centro. Cem policiais e 30 guardas-civis permanecerão 24 horas nas ruas dominadas por traficantes e usuários de crack pelo menos até o fim do mês. O objetivo, segundo a corporação, é sufocar o crime e permitir ação de agentes comunitários que circulam diariamente pela região com mais segurança. Três pessoas foram presas.

Quem passar pelo local hoje, no entanto, vai ver que os "noias" continuam lá. A ação começou às 9 horas nas proximidades da Rua Helvétia e, por volta do meio-dia, o entorno da Praça Júlio Prestes, um dos principais pontos de concentração de usuários, estava quase vazio. Mas a migração para outras ruas do centro foi imediata - até vias comerciais, como a Santa Ifigênia, foram tomadas por usuários de droga. Pouco a pouco, voltaram às imediações da Estação Júlio Prestes.

Quando foram inicialmente surpreendidos pela polícia, alguns responderam com violência, atirando pedras e paus contra viaturas - chegaram a atingir carros estacionados e colocaram medo nos pedestres, principalmente crianças.

Outros confrontos foram registrados quando funcionários da Prefeitura iniciaram a limpeza da região. No fim da tarde, no entanto, os mesmos grupos de usuários que fugiram da polícia de manhã já consumiam crack na praça, na frente de PMs, que só observavam.

De acordo com a capitã da PM Leandra Pontes Dabagui, coordenadora operacional do 13.º Batalhão, responsável pelo policiamento na região, a operação não visa a expulsar dependentes químicos da área, mas coibir tráfico e ação de criminosos. "A questão do usuário é um problema de saúde pública, não de polícia. Mas se algum usuário solicitar a ajuda de um policial militar será prontamente atendido", disse. A reportagem do Estado também flagrou a venda de drogas no local.

Tráfico. Segundo a Prefeitura, a operação pretende intensificar o trabalho de identificação de traficantes e criminosos infiltrados na região da Luz e evitar a chegada e a venda de drogas na área. "A ação da PM ocorre no momento em que a Prefeitura coloca em prática o novo sistema de coleta de entulho, limpeza de bueiros e varrição, o que reforça os serviços de zeladoria na cidade", afirmou, em nota oficial. Ontem mesmo, caminhões-pipa lavaram as ruas da cracolândia.

Balanços divulgados ontem à noite registravam a apreensão de duas metralhadoras de brinquedo, dez carcaças de moto e 21g de cocaína, mas nenhuma pedra de crack. Segundo a PM, 150 pessoas foram abordadas. Prédios e becos usados como esconderijo de drogas serão revistados durante a ação.

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