PM ocupa bairro após protesto violento em Sorocaba

Prédios foram depredados, carros queimados e avenida fechada; cerca de 300 pessoas se manifestaram contra morte de dois suspeitos pela polícia

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

14 Março 2014 | 08h00

Atualizada às 16h10

SOROCABA - Mais de cem policiais militares mantêm a ocupação do bairro Habiteto, na zona norte de Sorocaba, na tarde desta sexta-feira, 14, após um protesto violento de moradores contra a morte de dois supostos assaltantes em confronto com a Polícia Militar. Durante a noite, cerca de trezentas pessoas bloquearam a principal avenida da região, depredaram prédios e entraram em confronto com os policiais.

Quatro carros que passavam pelo local foram incendiados depois que os donos, sob a mira de armas, foram obrigados a descer dos veículos. O estande de uma imobiliária foi destruído e incendiado. Os móveis foram arrastados para a avenida e queimados.

A PM usou balas de borracha e bombas de efeito moral contra os manifestantes e alguns deles reagiram com tiros contra os policiais. O tiroteio deixou em pânico os moradores, mas não houve feridos graves.

Uma bala atingiu o escudo de um policial e ele chegou a cair, mas não se feriu. Com ajuda dos bombeiros, os policiais retiraram a barricada com pneus e paus incendiados que bloqueava a Avenida Itavuvu, que dá acesso à fábrica da Toyota e ao Parque Tecnológico de Sorocaba, além de vários bairros. No início da madrugada, com reforço do policiamento de outras cidades da região e de um helicóptero, a PM entrou no Habiteto.

Quatro pessoas foram detidas, três delas menores de idade, mas acabaram liberadas. De acordo com o major da PM Carlos de Mello, a ocupação continuará "o tempo que for necessário para restabelecer o clima de tranquilidade". Segundo ele, os moradores foram insuflados por criminosos. Imagens feitas no conflito ajudarão a Polícia Civil a identificar os autores de disparos contra a polícia. À tarde, enquanto os jovens mortos eram velados, o clima era tenso no bairro.

Mando do PCC. Os dois rapazes de 17 anos, moradores do bairro, foram mortos na madrugada de quinta-feira após tentar render o guarda municipal que fazia a segurança de um posto de combustíveis. Para a PM, eles executariam o GM a mando do Primeiro Comando da Capital (PCC), em retaliação ao isolamento de líderes da facção no Regime Disciplina Diferenciado (RDD), na Penitenciária de Presidente Bernardes.

Frentistas relataram que os suspeitos chegaram de moto, não tiraram o capacete e, de armas em punho, perguntaram pelo segurança. O GM, que estava armado, protegeu-se atrás de um balcão e teria atirado. Os menores fugiram e ele avisou a PM. Uma viatura perseguiu a moto, que foi abandonada, seguindo-se o tiroteio. Moradores do bairro dizem que os rapazes foram executados. Segundo o major Mello, eles atiraram primeiro e os policiais responderam. Foram apreendidos dois revólveres com numeração raspada e cápsulas deflagradas. Os dois rapazes tinham passagem - um deles havia sido detido cinco vezes por tráfico de drogas.

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