PM negocia e estudantes saem de colégio ocupado em SP

Escola Estadual Caetano de Campos, no centro da cidade, era alvo de protesto contra reforma do ensino médio proposta pelo governo

Isabela Palhares, Felipe Resk e Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

08 de outubro de 2016 | 19h47

(Atualizado às 20h30)

A Polícia Militar fez uma operação, na noite deste sábado, 8, para desocupar a Escola Estadual Caetano de Campos, na Praça Roosevelt, centro de São Paulo, ocupada por estudantes contrários à medida provisória que reforma o ensino médio no País e a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que cria um teto de crescimento para os gastos públicos, propostas pelo governo Michel Temer. Era a primeira escola ocupada na capital do Estado de São Paulo.

Cerca de 30 PMs da Força Tática do Batalhão do centro da capital estão na ação. Segundo a PM, o colégio foi ocupado por 40 estudantes. A ocupação - a primeira de São Paulo - ocorreu na noite de sexta-feira, 7.

De acordo com o coronel Gasparian, da 2.ª Companhia do 7.º Batalhão da PM , a polícia e a diretora da escola estão em conversa com os alunos para negociar a saída do prédio. Cerca de 40 estudantes estão dentro da escola.

Os estudantes deixaram a escola depois de uma conversa de cerca de 30 minutos com um coronel da Polícia Militar, a diretora e uma representante do Conselho Tutelar. Saíram com punhos erguidos, enquanto gritavam  “não tem arrego”.

Antes da negociação, o coronel havia informado que, mesmo que não houvesse colaboração dos manifestantes, a PM faria a desocupação. A gestão Geraldo Alckmin (PSDB) se valia de um parecer, da Procuradoria-Geral do Estado, que garantia a autotutela das escolas -- o que dispensa, nessa versão, mandado de reintegração de posse emitido pelo Poder Judiciário.

Estudantes, que não quiseram se identificar, disseram que a polícia não deixou alternativas a eles. "As opções da negociação eram que saíssemos voluntariamente ou então a força", disse um estudante. Assim, optaram por sair. O coronel afirmou que os estudantes tentaram negociar outra data para a desocupação, mas o pedido não foi aceito.

Em jogral, os jovens disseram que a mobilização não termina com a desocupação da escola e que a luta contra a MP do Ensino médio e a Pec 241 continua, prometendo novas ocupações de escolas.

A PM entrou na escola após a desocupação, para garantir que não havia mais nenhuma pessoa dentro e para a vistoria do predio. "Eu não conhecia a escola antes,  mas a princípio a diretora disse que nao houve danos ", declarou o coronel. A PM informou ainda que deve permanecer no entorno da Praça Roosevelt durante a noite para evitar novas ocupações - alunos também decidiram permanecer durante a noite na porta da escola.

Após a saída, alunos falaram com jornalsitas. Identifcando-se apenas como Mattei, uma  aluna do 1.º ano da escola, de 15 anos, disse que os alunos já previam a reação da polícia para desocupar a unidade o mais rápido possível. "Mas cumprimos o nosso objetivo de mobilizar os estudantes para novas ocupações em outras escolas nos próximos dias. Na segunda-feira,  todas as escolas vão fazer assembleias para discutir a possibilidade de ocupação", afirmou. 

Uma funcionária da Secretaria Estadual de Educação, diriente regional de ensino, acusada pelos manifestantes de "ter chamado a polícia", foi hostilizada pelos manifestantes após a ação. Ela foi seguida pelos alunos por duas quadras, sendo chamada de "fascista" pelo grupo. A funcionária teve que ser retirada por uma viatura do Corpo de Bombeiros.

De acordo com a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), há 62 colégios tomados no Paraná, Minas Gerais, Goiás, Brasília, Rio Grande do Norte e Mato Grosso. Procurado, o ministro da Educação, Mendonça Filho, não quis se pronunciar sobre a ocupação de escolas.

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