PM morre na Rocinha e Bope faz operação para prender suspeito

Foi a 1ª vítima das forças de segurança em uma comunidade pacificada; secretário anuncia 'bico oficial', a exemplo de SP

ANTONIO PITA / RIO, O Estado de S.Paulo

05 Abril 2012 | 03h04

A favela da Rocinha, na zona sul do Rio, registrou na madrugada de ontem a primeira morte de um policial durante todo o processo de pacificação das comunidades. O cabo do Batalhão de Choque da Polícia Militar Rodrigo Alves Cavalcante, de 32 anos, foi morto com um tiro por traficantes durante patrulhamento no alto do morro. Ele foi a nona vítima da onda de violência que há 50 dias atinge a Rocinha, ocupada desde novembro.

Em resposta à morte do policial, na manhã de ontem 150 homens do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e do Batalhão de Choque fizeram uma operação na favela para prender Edilson Tenório de Araújo, de 40 anos. Ele é suspeito de ter atirado no cabo, após a tentativa de abordagem no alto do morro, em um ponto de drogas. Na fuga, o suspeito deixou uma bolsa com munições e um documento, o que permitiu sua identificação. Segundo a PM, ele já havia sido preso duas vezes por tráfico.

O policial Cavalcante foi atingido na axila esquerda e chegou a ser levado para um hospital, mas não resistiu. Filho de um militar da reserva, ele era o mais novo de quatro irmãos. O enterro, com honras militares, será realizado hoje, às 10h, no Cemitério de Jardim da Saudade, na zona oeste.

No momento em que foi atingido, Cavalcante realizava um patrulhamento a pé na Rocinha com outros sete policiais. Quatro deles eram recém-formados, convocados na segunda-feira, para reforçar o policiamento na favela. No total, já são 640 policiais distribuídos em quatro turnos. Um centro de comando também foi criado no alto da favela para monitorar as ações de patrulhamento com aparelhos de GPS.

Apesar da morte do policial, o secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, disse em entrevista coletiva que não vai recuar na ocupação da Rocinha. "Ninguém aqui vai trabalhar com gosto de sangue na boca. Existe um planejamento para a Rocinha, que ainda está na primeira fase da pacificação. Não temos uma vitória absoluta, ela está sendo construída", ressaltou. Beltrame descartou a possibilidade de pedir ajuda ao Exército.

'Bico oficial'. Ontem, o secretário também anunciou a regulamentação do trabalho de policiais nas horas de folga. Pelo "bico oficial", os agentes vão receber adicionais por hora trabalhada em dias de folga e serão deslocados para regiões com demanda por reforço de policiamento, assim como já acontece em São Paulo desde dezembro de 2009.

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