NIVALDO LIMA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS
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PM mata vizinha e fere grávida de 6 meses na zona norte

Ela passou por cesárea, mas bebê está na UTI; imóvel causou desentendimento; policial foi preso em flagrante e transferido para o presídio militar Romão Gomes

Felipe Resk e Felipe Palma, O Estado de S. Paulo

23 Março 2015 | 08h11

Atualizada às 20h24
SÃO PAULO - Um desentendimento entre vizinhos se transformou em uma tragédia familiar na zona norte de São Paulo, na noite de domingo, 22. O cabo Gilson de Souza Teixeira, de 31 anos, do 5.º Batalhão da Polícia Militar, matou a tiros a advogada Jurema Cristiane Bezerra da Silva, de 39, e feriu outras duas pessoas da mesma família, entre elas uma grávida de seis meses. O oficial foi preso em flagrante e transferido para o presídio militar Romão Gomes na manhã desta segunda-feira, 23.
Para familiares das vítimas, o crime começou a se desenhar há cerca de um ano, quando Teixeira teria passado a ameaçá-los. O motivo para o desentendimento seria uma casa na Rua Manoel Lisboa de Moura, na região do Jaçanã, onde mora uma irmã do policial. A família de Jurema, no entanto, reivindica a propriedade do imóvel, que teria sido concedida pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU).

Por volta das 18h45 de domingo, um dos cinco filhos da advogada, Danilo Agostinho, de 20 anos, conversava na rua da casa da avó quando o policial passou em um Fiat Palio. “Ele jogou o carro em cima de mim. Tentou me atropelar e foi embora”, conta. Ao ouvir a confusão, a mulher dele, Gabriela Leite Rocha, de 18 anos, grávida de seis meses, foi até a rua com o filho de um ano no colo.
Danilo conta que o policial deu a volta no quarteirão e passou novamente na frente da casa. “Ele começou a me ameaçar, disse que ia me matar e que eu deveria abaixar a cabeça para ele. Respondi que não tinha medo dele”, afirma. Nesse momento, Jurema, que estava dentro da casa da mãe, preparando ovos de Páscoa para crianças da família, resolveu sair. A avó de Danilo foi junto.
As duas começaram a discutir com Teixeira. Na confusão, Jurema foi até o carro buscar um celular. Ela queria gravar imagens do policial para enviar à Corregedoria da Polícia Militar. Os vizinhos já haviam prestado queixa contra o cabo no órgão. Testemunhas relatam que, alertado sobre o que a advogada pretendia fazer, ele deu partida no veículo e depois voltou de marcha à ré, tentando atropelar a mulher. Jurema caiu no chão e mesmo assim continuou filmando a cena.
O policial, então, teria descido do carro e dado o primeiro tiro, no peito da advogada. Ao ver a mãe ferida, um filho de 11 anos teria abraçado a mulher, contam testemunhas do crime. Ainda assim, Teixeira voltou a apertar o gatilho. “Ele deu três passos para frente e atirou duas vezes nela”, afirma Danilo.
Na confusão, um dos filhos de Jurema atirou uma pedra, que quebrou o para-choque do carro do policial. Depois, Teixeira disparou na direção do grupo. “Ele descarregou a arma”, diz uma testemunha. Uma das balas acertou de raspão um irmão da advogada, um adolescente de 17 anos, na altura da costela, e pegou na barriga de Gabriela. Outro disparo a acertou no rosto.
Os três foram levados pelos familiares para o Hospital São Luiz Gonzaga, onde Jurema chegou morta. “Minha mãe morreu nos meus braços”, conta Gabriel Agostinho, de 18 anos. Gabriela passou por uma cesárea de urgência. Segundo familiares, o estado de saúde dela é estável, mas o filho permanecia ontem à noite na UTI, com risco de morte. Já o adolescente foi medicado e está bem.
Denúncias. De acordo com policiais do 73.º DP (Jaçanã), três inquéritos foram instaurados de 2012 a 2014, com denúncias de agressão e ameaça supostamente cometidas pelo oficial. Questionada, a Polícia Militar não se pronunciou sobre o caso. “Ele destruiu a vida dele e a minha”, afirma a irmã do policial, uma ajudante-geral de 43 anos. Ela diz que vai permanecer na casa que teria motivado a desavença entre os vizinhos. “Eu não tenho para onde ir.”

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