PM mata sargento em briga de trânsito

Policial estava de moto e teria sido fechado pelo carro do militar, em Carapicuíba

GIO MENDES, O Estado de S.Paulo

28 Dezembro 2011 | 03h03

O soldado da Polícia Militar Adilson Luiz de Oliveira, de 44 anos, matou o sargento do Exército Jucelino de Souza Dias, de 38, durante briga de trânsito em Carapicuíba, na Grande São Paulo, ontem de manhã. Oliveira, que atirou quatro vezes na direção de Dias, foi autuado em flagrante por homicídio no 1.º Distrito Policial da cidade. O soldado está preso no Presídio Romão Gomes.

Dias havia saído de casa na Vila Menck, em Carapicuíba, para o trabalho, na base do Comando Militar do Sudeste, na zona sul de São Paulo. Ele dirigia uma Zafira que teria fechado a moto do soldado na Estrada da Gabiroba, por volta das 5h50. Oliveira foi tirar satisfação com Dias.

A discussão entre os dois militares foi testemunhada por dois passageiros que ocupavam o carro do sargento, que tinha dado carona para a empregada doméstica Marinalva Constância da Silva Santos, de 62 anos, e o genro dela, o pintor Arivaldo Luiz Moscardi, de 35, seus vizinhos.

Segundo as testemunhas, Oliveira se aproximou do carro, fez um gesto obsceno para o sargento e reclamou que havia sido fechado. "Jucelino não disse nada e saiu com o carro. Trinta metros à frente, ouvi um tiro. Então percebemos que o motoqueiro seguia o carro", disse Marinalva. Segundo ela, Oliveira atirou para o alto antes da perseguição.

Dias parou o carro e desceu segurando um revólver calibre 38, ao perceber que o soldado portava uma pistola calibre 380. Os dois apontaram as armas um para o outro. De acordo com as testemunhas, ambos se identificaram como policiais. "Jucelino pediu para que o soldado largasse a arma e foi baleado. Ele não atirou em nenhum momento", afirmou Marinalva.

"O PM agiu com violência e covardia, pois meu irmão queria apenas conversar. Esse policial deveria estar com algum problema e desferiu toda a sua fúria contra o meu irmão", disse o encarregado Juracir Dias, de 38 anos.

Segundo as testemunhas, Oliveira teria tentado fugir e caiu da moto. Em depoimento na delegacia, o soldado negou a tentativa de fuga e disse que pediu para as testemunhas ligarem para o 190. Dias foi levado em uma viatura da PM para o Hospital Geral de Carapicuíba, mas não resistiu. O sargento tinha perfurações à bala no peito e em um braço.

Depois de ser autuado por homicídio, Oliveira deixou o 1.º DP de Carapicuíba por volta das 18h. Ele seguiu para o Instituto Médico-Legal, onde fez exame de corpo de delito antes de ser levado para o presídio.

O soldado levou um murro nas costas antes de entrar na viatura da PM. O golpe foi dado por um primo de Dias. Parentes da vítima gritaram "verme", "covarde" e "assassino" ao ver Oliveira saindo escoltado da delegacia.

'Legítima defesa'. O soldado da PM afirmou em depoimento no 1.º DP de Carapicuíba que agiu em legítima defesa ao atirar contra o sargento. "Ele disse ter ouvido dois cliques do revólver do sargento. Esse barulho é feito quando há tentativa de acionamento do gatilho", afirmou o advogado do PM, Dejair José de Aquino Oliveira.

De acordo com a Polícia Civil, o revólver do sargento apresenta indícios de duas balas "picotadas" (quando a bala não sai após o gatilho ser acionado). As armas do soldado e do sargento serão periciadas.

O advogado de Oliveira disse que entraria na Justiça com um pedido de liberdade provisória para que o soldado responda ao processo fora da prisão.

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