PM mata dois homens por engano na zona leste de SP

Com medo de ser vítima de ataque, soldado atirou contra funcionário e patrão; outras 6 pessoas foram mortas ontem

RICARDO VALOTA, O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2012 | 02h03

Um policial militar foi preso em flagrante na madrugada de ontem pela morte de duas pessoas em São Mateus, na zona leste. O soldado Edcarlos Oliveira estava com a mulher e o filho de 1 ano no carro quando atirou. Ele disse à polícia que pensou estar sendo assaltado. As vítimas ocupavam um Fiorino na esquina da Rua Gaia com a Avenida Arquiteto Vilanova Artigas. Eram patrão e funcionário e voltavam da empresa onde trabalhavam, a cerca de 1 km, quando foram baleados.

Segundo uma testemunha, o Fiorino teria avançado o sinal vermelho e parou de repente, interrompendo parcialmente a passagem do carro do soldado. Ela conta que Edcarlos conseguiu desviar, mas retornou, sacou uma pistola e atirou contra Jefferson de Oliveira, de 27 anos, dono da empresa de polimento de peças de metal, e Renato da Silva Ferraz, de 22, que todo dia pegava carona com o chefe.

Após atirar, Oliveira fugiu do local e, de outro endereço, ligou para colegas informando que havia acabado de atirar contra dois homens que teriam tentado assaltá-lo ou matá-lo. Ele mostrou uma suposta arma de brinquedo que estaria em poder de uma das vítimas e teria sido apontada para ele, provocando a reação. No local, nenhuma das cápsulas da pistola calibre ponto 40 utilizada pelo soldado foi encontrada.

O policial está na corporação há 14 anos e atua na região da Penha, também na zona leste. Levado ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Oliveira foi autuado em flagrante por duplo homicídio doloso (com intenção). A polícia agora tentará descobrir se a arma de brinquedo estava com os dois rapazes que foram mortos e quem recolheu as cápsulas do local do crime. Parentes do soldado não foram feridos.

Entre a noite de sexta e a manhã de ontem, outras seis pessoas foram assassinadas na Grande São Paulo e três baleadas. No Jaçanã, zona norte, um homem foi achado morto perto de um local de venda de drogas. No Cursino, zona sul, um homem de 53 anos levou um tiro na cabeça na casa da ex-mulher. No Campo Limpo, a polícia trocou tiros com criminosos e matou duas pessoas. Em Itaquera, zona leste, um ônibus foi incendiado.

Na cidade de Itaquaquecetuba, a PM foi acionada após moradores ouvirem tiros na Rua Cianorte. No local, uma pessoa foi morta e outra, baleada. Em Suzano, um homem foi encontrado baleado em um terreno baldio - levado ao Hospital Santa Marcelina, não resistiu. E em Diadema, no ABC Paulista, um pedestre que passava pela Rua Graciosa, na região central, foi baleado por dois ocupantes de moto.

Enterro. Na manhã de ontem, foi enterrado sob aplausos em Barueri o corpo do estudante Pedro Turquetti, de 21 anos. O aluno de Sistemas de Informação na USP Leste havia sido um dos 15 mortos na noite de quinta para sexta-feira. "Meu irmão morreu de graça", lamentou Raul Turquetti. "Estamos tratando todas essas mortes com naturalidade. As pessoas se tornam apenas números, mas, quando acontece com a gente, sentimos a dor", disse Gabriel Vieira, amigo de infância de Pedro.

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