PM joga spray de pimenta em cadela

Caso na Rocinha revoltou moradores e ONGs

FÁBIO GRELLET / RIO, O Estado de S.Paulo

08 de maio de 2012 | 03h03

Um policial militar pode receber punição administrativa e até ser condenado a pena de 3 meses a 1 ano de prisão por ter aplicado spray de pimenta nos olhos de uma cadela, enquanto fazia ronda na comunidade da Rocinha, em São Conrado, na zona sul do Rio. O caso aconteceu na manhã de anteontem, na Via Ápia, principal rua da favela. Um fotógrafo registrou o flagrante, que rendeu protestos de moradores e defensores dos direitos dos animais. A cadela, a vira-lata de 6 anos chamada Pantera, pertence a José Luiz Francisco, morador da comunidade, e estava solta.

O secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, cobrou explicações do PM. Para o secretário, a atitude não condiz com a conduta esperada de um policial. Caso ele tenha agido sem ter sido ameaçado pela cachorra, terá sido uma demonstração de seu despreparo para exercer a função, segundo Beltrame.

A pedido do Ministério Público, a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente instaurou inquérito para investigar a conduta do policial. Segundo a promotora Christiane Monnerat, o PM pode ter cometido maus-tratos.

Ameaça. Segundo o coordenador de policiamento da Rocinha, major Edson Santos, o policial prestou depoimento, para uma investigação interna, anteontem. Ele afirmou ter recorrido ao spray após ser ameaçado pela cadela, indócil desde que perdeu uma ninhada de filhotes, há cerca de dois meses.

Segundo a polícia, que faz patrulhas rotineiras na Rocinha com 700 homens desde novembro, o dono da cadela não quis prestar depoimento. O animal passa bem.

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