PM investigado por pedofilia se mata durante revista a sua casa

Polícia diz que PM fazia parte de esquema pronto para entregar criança de 9 anos à rede de pedófilos

Marcelo Godoy, O Estado de S. Paulo

30 de maio de 2008 | 19h26

Investigado sob a suspeita de envolvimento em uma rede de pedofilia, o 2º tenente da PM Fernando Neves Bravo, de 34 anos, matou-se com um tiro na cabeça no momento em que seu apartamento ia ser revistado por policiais da 5ª Delegacia Seccional e da Corregedoria da Polícia Militar. Bravo foi quem comandou a varredura no Edifício London na noite em que a menina Isabella Nardoni, de 5 anos , foi jogada do 6º andar. Foi ele quem certificou que não havia ocorrido invasão no edifício.   Segundo o delegado André Luiz Pimentel, há 90 dias uma testemunha procurou os policiais informando que recebera propostas para manter sexo com crianças numa sala de bate-papo chamada Incesto, mantida em um site na internet. A testemunha foi orientada pela delegacia a prosseguir os contatos.   Após algum tempo, o agenciador das crianças passou a usar um programa de mensagens instantâneas nos contatos e, depois, o telefone. Só então a polícia descobriu sua identidade. Tratava-se do operador de telemarketing e pai-de-santo Márcio Aurélio Toledo, de 36 anos. Toledo, segundo a polícia, ofereceu à testemunha a possibilidade de manter relações sexuais com crianças de 7, 9 e 12 anos. "O que você quer? menino ou menina?", perguntou num dos telefonemas. Na semana passada, marcou um encontro em sua casa. "Mas não vai ter problema?", perguntou o interessado. "Não, eu tenho brinquedos aqui para distrair as crianças", afirmava o suspeito.   "Para impedir que ele entregasse um sobrinho de 9 anos para o cliente, pedimos ao juiz a decretação da prisão do acusado. Ele agenciava as crianças e mantinha relações com os pedófilos", afirmou o delegado.Na casa de Toledo, em Cidade Ademar, na zona sul, os policiais acharam brinquedos, DVDs de crianças praticando sexo e uma lista de contatos no computador. Neles estava o nome do tenente. Na quinta-feira, 29, a delegacia obteve o mandado de busca no apartamento e nos armários do PM no 5º Batalhão.   Informada pela delegacia, a corregedoria acompanhou tudo. O tenente foi chamado ao batalhão. Desarmado, ele presenciou a revista no armário. Em seguida, foi com os policiais ao seu apartamento. "Ele pediu que aguardássemos um pouco enquanto ele avisava a esposa, que dormia, para que ela se vestisse", disse o investigador Geraldo Buscarioli Junior. O tenente saiu do quarto com a pistola, apontou para os policiais, entrou no banheiro e deu um tiro na cabeça. Seu computador foi apreendido para análise.

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