PM intensifica ações, mas não evita flanelinhas em jogos no Morumbi

No jogo de quinta-feira, 2, entre São Paulo e Atlético Mineiro, pela Libertadores, os guardadores voltavam a atuar assim que a polícia saia

Gonçalo Junior e Paulo Fávero, O Estado de S. Paulo

06 Maio 2013 | 14h27

SÃO PAULO - A Polícia Militar vem intensificando as operações para prevenir a ação dos guardadores clandestinos de veículos nos estádios desde o ano passado, mas não vem obtendo sucesso. No jogo de quinta-feira, 2, entre São Paulo e Atlético Mineiro, no Morumbi, a reportagem do Estado flagrou as motos da ROCAM (Rota Ostensiva com apoio de Motocicletas) inibindo a ação dos flanelinhas apenas temporariamente. Quando as motos saíam dos locais de vigilância, os guardadores voltavam. "Somos reféns dessa situação. Eles estão em todos os lugares, desde os mais próximos até os mais distantes do estádio", conta o webdesigner Leandro Pereira, que convive com o problema desde que começou a frequentar estádios, em 1992.

Para ter sucesso nas operações, a polícia pede a colaboração dos torcedores para denunciar a ação dos guardadores. Os policiais explicam que coagir uma pessoa a pagar um valor abusivo para não ter seu carro furtado ou riscado é crime de extorsão. Se o criminoso não for punido, continuará a agir, mas só existem duas maneiras de o flanelinha ficar preso: por flagrante de extorsão ou se estiver procurado pela polícia.

Conta salgada. Para estacionar nas ruas, imóveis abandonados, garagens e praças, o preço varia de acordo com a importância da partida e a proximidade do local em relação ao estádio. Vão de R$ 20 a 50, mas normalmente os flanelinhas são abertos a uma negociação. O são-paulino Luiz, que preferiu não informar o sobrenome, ficou satisfeito. "Paguei R$ 20 porque negociei. O torcedor do carro à minha frente pagou R$ 40, mas eu argumentei que meu automóvel era menor e que, por isso, teria de ser menos", conta. Quando se aproxima o horário do início da partida, os preços caem pela metade. Mesmo assim, a conta fica salgada. Além das despesas com alimentação e estacionamento, o torcedor tem obviamente o valor do ingresso. Leandro pagou R$ 140 por um assento no setor cativa azul, por exemplo. "Essa é uma despesa que tem de entrar no planejamento de quem quer ir ao jogo de futebol. Em qualquer estádio", diz a assistente de atendimento Patrícia Senhoraes de Paula Dias.

O pagamento, no entanto, não é garantia absoluta de segurança. Inúmeros torcedores relatam atos de vandalismo, como automóveis riscados ou amassados. Ou seja, o torcedor faz o pagamento, mas não tem a garantia de que o carro estará em segurança. "Quando viramos as costas, o flanelinha já sumiu", reclama Luiz. Na Avenida João Jorge Saad, minutos antes da partida, uma cena inusitada. Um guardador, com um alicate de quase meio metro de comprimento, tentou quebrar um cadeado de uma loja desativada para abrir o portão e usar o estacionamento. Tentou por alguns minutos, mas não teve sucesso porque a trava de segurança o impediu.

Poucas alternativas. As alternativas aos flanelinhas são os estacionamentos privados, que cobram cerca de R$ 50 para o período de seis horas. Os torcedores elogiam a segurança dos locais, mas reclamam da demora para retirar o carro no final da partida. Patrícia Senhoraes de Paula Dias conta que já teve de esperar até 1h da madrugada para retirar seu carro após um jogo que terminou por volta das 23h45. "Para não ficar esperando após o jogo, prefiro pagar para os flanelinhas e torcer para que tudo dê certo", justifica a torcedora.

A falta de vagas de estacionamento foi uma das principais justificativas da Fifa em relação à infraestrutura para descartar o Morumbi como sede paulista para a abertura da Copa do Mundo. Mesmo assim, o São Paulo está realizando a reforma do estádio e planeja construir um estacionamento com três mil vagas onde hoje estão o Memorial e o Salão Nobre do clube.

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