Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

PM impede ocupação de prédio com uso de bomba de gás

Cerca de 240 sem-teto tentaram entrar no edifício, localizado na região central da capital. Dois deles foram detidos e liberados

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

21 Julho 2014 | 09h15

Atualizada às 20h39

SÃO PAULO - Um grupo de cerca de 240 sem-teto do Movimento de Luta por Moradia Digna (LMD) foi impedido pela Polícia Militar de ocupar um prédio comercial de sete andares na Rua Dr. Cesário Mota Júnior, em Santa Cecília, na região central de São Paulo, na madrugada desta segunda-feira, 21. Os policiais militares usaram bombas de gás lacrimogêneo e dois integrantes do movimento chegaram a ser detidos, mas foram liberados.

Os policiais militares passavam perto do local da invasão, por volta da 1 hora, quando avistaram um grupo de pessoas entrando no prédio, administrado pela empresa Graiche. Quando a polícia chegou, 90 pessoas já estavam dentro do edifício.

Os sem-teto teriam montado uma barreira com pedaços de vidro no local para impedir a entrada dos policiais, que revidaram com bombas de gás lacrimogêneo.

Por meio da assessoria de imprensa, a PM afirmou que pôde agir para impedir a invasão porque os policiais estavam perto do local e viram o momento em que os sem-teto invadiam o prédio - há uma base policial a um quarteirão do imóvel, na Rua Major Sertório. “Caso contrário, só poderia intervir com uma ação de reintegração de posse”, informou a corporação, em nota.

Bombas. Morador na mesma rua, o aposentado Stefan Kizima, de 92 anos, acordou com o barulho da invasão. A porta de entrada do prédio estava com o vidro quebrado. “Eu pensei que tinham entrado com um tanque”, afirmou. Kizima disse que ouviu o barulho de “muitas bombas” quando a Polícia Militar chegou ao local.

Após o uso da bomba de gás, o grupo se dispersou e duas pessoas foram presas. Henrique Rosa, de 39 anos, e Ronaldo da Silva, de 22, que fazem parte do LMD, foram detidos e levados para o 2.º DP (Bom Retiro), onde foi registrado boletim de ocorrência por esbulho possessório (invadir com mais de duas pessoas terreno ou edifício alheio para usurpação). À tarde, os dois foram liberados.

Segundo os policiais, o zelador do edifício, que se escondeu durante a invasão, foi encontrado, acuado, no último andar do prédio. Na frente do imóvel havia uma placa de “Aluga-se”. A administradora Graiche afirmou que o edifício permanecia vazio durante o dia.

O LMD, que coordena outras ocupações no centro da capital paulista, não foi localizado para comentar a ocupação. O movimento é responsável, entre outras, pela ocupação do Hotel Othon Palace, cuja invasão chegou a reunir 500 famílias em junho. Há uma semana, a polícia cumpriu reintegração de posse em um edifício na Rua Santa Ifigênia, que também havia sido ocupado por cerca de 230 famílias do movimento.

Fora da validade. As bombas de gás lacrimogêneo usadas pela Polícia Militar estavam fora da validade. A corporação confirmou a informação, mas disse que elas não oferecem risco à população. “O único risco é o de a munição não funcionar - o que não foi o caso -, ou ter sua eficácia reduzida, causando um incômodo menor às pessoas”, informou a PM.

“O prazo de validade não altera o princípio ativo da munição, não havendo nenhuma possibilidade de comprometimento da saúde das pessoas envolvidas”, completou a corporação. / COLABOROU MÔNICA REOLOM

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