PM ''Highlander'' é condenado a 28 anos de prisão em Itapecerica

Grupo de extermínio decapitava vítimas para dificultar a identificação; outros três acusados ainda vão a júri

William Cardoso, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2011 | 00h00

O policial militar Ronaldo dos Reis Santos, de 30 anos, foi condenado ontem a 28 anos de prisão em regime fechado pelo Tribunal do Júri, em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, pelas mortes de Roberto Aparecido Ferreira e Roberth Sandro Campos Gomes, ocorridas em maio de 2008. Santos fazia parte do grupo de extermínio formado por nove PMs chamados de Highlanders, porque decapitavam as vítimas para dificultar a identificação dos corpos.

Assim como os demais Highlanders, Santos integrava a Força Tática do 37.º Batalhão da PM, no Capão Redondo, zona sul da capital, e agia com violência para tentar intimidar supostos criminosos. "Era um grupo que se reunia depois da ronda em uma loja de conveniência. Lá, combinavam o que fariam. E, claro, sempre com uma viatura para fazer as abordagens. As vítimas colocavam as mãos na cabeça para serem revistadas e mal sabiam que seriam executadas logo depois. Foram apreendidas armas, faca, machado e até uma espada usada nos crimes", diz o promotor Marcelo Alexandre de Oliveira, de Guarulhos, mas que foi destacado pela Procuradoria-Geral para atuar no júri em Itapecerica.

Segundo Oliveira, a condenação de Santos deve servir de exemplo. "É preciso que a polícia atue na legalidade", afirma. O promotor diz também que a própria sociedade não deve tolerar crimes como os cometidos pelos Highlanders, sob a suposta impressão de se fazer justiça.

Os policiais tinham a certeza de que não seriam cobrados pelos crimes. "A sensação de impunidade era muito grande. Eles jogavam os corpos decapitados no mesmo lugar", diz o investigador-chefe da Delegacia Seccional de Taboão da Serra, Ivan Jerônimo da Silva, que conduziu a apuração do caso.

Acusados. Além de Santos, outros cinco PMs foram acusados de participação nas mortes de Ferreira e Gomes. Dois deles, João Bernardo da Silva e Jorge Kazuo Takiguti, foram absolvidos em março, porque não estariam no local do crime. O fato causou revolta entre parentes dos mortos.

Restam três policiais agora. Jonas Santos Bento vai a júri em novembro e Marco Aurélio Lima e Rodolfo da Silva Vieira aguardam decisão sobre o pronunciamento (ainda não há data prevista para serem julgados).

Vieira já foi condenado em julho de 2010, com Moisés Alves dos Santos, Joaquim Aleixo Neto e Anderson dos Santos Salles, a 18 anos e 8 meses de prisão pela morte de Antonio Carlos Silva Alves, portador de deficiência mental.

Recurso. A defesa já recorreu da condenação de Santos. "A confissão não foi ratificada em juízo. Temos outras testemunhas civis que não reconheceram o soldado como responsável", afirma o advogado do PM, Eugênio Carlo Balliano Malavasi.

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