Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Homem é morto durante ação da PM na Favela do Moinho; protesto fecha linha da CPTM

Operação contra o tráfico termina com homem morto; corporação teve de enfrentar reação de moradores, que classificaram a ação como 'assassina'

Marco Antônio Carvalho, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2017 | 15h58
Atualizado 27 de junho de 2017 | 20h27

SÃO PAULO - Uma operação das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), tropa de elite da Polícia Militar paulista, terminou com a morte de um jovem de 18 anos na manhã desta terça-feira, 27, na Favela do Moinho, região central. 

A corporação alega que atuava contra suspeitos de tráfico de drogas, roubos de carro e celulares, quando houve uma “troca de tiros” e a vítima foi atingida. A polícia não informou as circunstâncias da abordagem, mas disse tê-lo socorrido para a Santa Casa. O hospital disse em nota que desde o início do atendimento o paciente estava sem sinais vitais. “Na entrada do pronto-socorro foi constatado o óbito.” 

Leandro de Souza Santos, de 18 anos, teria corrido ao ver a polícia, buscando proteção na casa de uma vizinha. A polícia entrou no local e o acertou enquanto o jovem estava na cozinha. No fim da tarde desta terça-feira, 27, o local ainda tinha marcas de sangue e um martelo, cuja posse não foi informada. A PM não informou de Santos era um dos alvos da operação e se com ele foi encontrado qualquer material ilícito. A dona da casa foi levada para prestar depoimento, mas após afirmar não ter visto o momento do óbito, acabou sendo liberada. 

A morte despertou a reação da comunidade, que montou barricadas pela vielas, tentando impedir qualquer avanço policial. No chão, horas após a ação, ainda podiam ser vistos cápsulas de bala de borracha usadas para tentar dispersar a manifestação.

O protesto, no entanto, só cresceu. No fim da manhã, moradores foram ao Viaduto Engenheiro Orlando Murgel, sobre a comunidade, interrompendo o trânsito; a polícia teve de acionar reforço. Instantes antes, o tráfego de trens pela linha férrea que corta a favela já havia sido interrompido.

Parte do serviço da Linha 8-Diamante da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), entre as estações Júlio Prestes e Barra Funda, parou por cerca de quatro horas. O serviço foi retomado totalmente às 15h15. Com rostos cobertos, moradores empunharam cartazes classificando a ação como “assassina” e pediram “justiça pelo morador morto.” 

A jovem Maria Vitória Oliveira, de 18 anos, que está grávida de oito meses, disse ter sido agredida por um dos policiais que participavam da ação. “Disse que ia chamar a reportagem aqui para ver o que estava acontecendo e um deles me deu um empurrão. Eu caí, bati a cabeça na tampa da fossa e desmaiei”, relatou. Ela contou ter sido levada para um hospital próximo e que ainda estava com dor na nuca e nas costas. 

A família de Leandro demonstrou indignação quando algumas viaturas da corporação se reaproximaram da entrada da favela no início da noite. O irmão da vítima, Lucas Santos, teve de ser contido por amigos e familiares após demonstrar a intenção de ir até os policiais, que estavam postados. 

O local já havia enfrentado uma operação policial no dia 21 de maio, quando equipes do Departamento de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc) foram à favela com objetivo de cumprir mandados de prisão contra suspeitos de tráfico de drogas. A investigação apontava que era na área que eram tomadas decisões sobre o abastecimento de crack para a Cracolândia, cujo fluxo se localizava a cerca de um quilômetro dali. 

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