PM expulsa músicos de rua

Operação da Prefeitura proíbe artistas na Paulista alegando que precisam de autorização

Camilla Haddad, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2010 | 00h00

Músicos e artistas de rua estão sendo impedidos de se apresentar nas calçadas da Avenida Paulista. A proibição começou há pouco mais de um mês, quando a via passou a ser monitorada pela Operação Delegada, na qual PMs trabalham para a Prefeitura nos dias de folga e têm a missão de coibir o comércio ambulante. As estátuas vivas e os tocadores de violão estão entre os mais atingidos.

Na semana passada, o músico Marcio Aguiar, de 37 anos, imitava o cantor Raul Seixas quando foi abordado por um soldado, próximo da Alameda Casa Branca. "Ele me disse que eu não poderia colocar caixinha no chão (para receber contribuições do público)", contou. "Depois, veio uma tenente e falou que era a minha última chance antes que meu violão fosse apreendido." Aguiar saiu do local e disse que o clima é de tensão. "Aqui sempre foi um corredor de arte. Agora virou da repressão."

Com o professor de guitarra Rafael Pio, de 30 anos, a situação foi mais complicada. O rapaz foi detido e liberado no mesmo dia depois que teve sua guitarra e um amplificador apreendidos.

A PM informou que as manifestações culturais podem ser exercidas em qualquer lugar e que respeita e garante os termos constitucionais. A corporação diz que "quando há qualquer tipo de exploração comercial, caracteriza-se um evento e há a necessidade de autorização da Prefeitura".

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