Bruno Ribeiro/Estadão
Bruno Ribeiro/Estadão

Protesto do MPL termina em tumulto no centro de São Paulo

Manifestação teve estreia de grupo de mediadores da PM, mas houve impasse sobre o trajeto; no fim do ato, grupos depredaram agências bancárias e lixeiras

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

10 Janeiro 2019 | 18h16
Atualizado 11 Janeiro 2019 | 00h22

SÃO PAULO - O primeiro ato do Movimento Passe Livre (MPL) neste ano contra o aumento da tarifa dos transportes públicos, de R$ 4 para R$ 4,30, terminou em tumulto no centro de São Paulo na noite desta quinta-feira, 10. O protesto havia sido pacífico na maior parte do percurso, com atuação de um grupo de mediadores da Polícia Militar, mas houve vandalismo e uso de bombas de gás pela PM  no fim da manifestação. Até as 22 horas não havia registro de feridos. 

O protesto, que chegou a reunir 1,5 mil manifestantes, começou por volta das 17 horas na Praça Ramos de Azevedo, em frente ao Theatro Municipal, e terminou na Rua da Consolação, esquina com a Rua Fernando de Albuquerque. 

A Polícia Militar de São Paulo estreou nesta quinta um grupo de mediação para evitar danos ao patrimônio e pessoas feridas no protesto. De coletes azuis, com a inscrição "mediador", três agentes da PM buscavam informações e faziam pedidos a representantes dos manifestantes.

O MPL queria seguir até a Praça do Ciclista, na Avenida Paulista, mas a PM afirmou que o trânsito não havia sido organizado para o protesto. A polícia chegou a pedir que os manifestantes retirassem as hastes das bandeiras, mas depois cedeu ao apelo do grupo. A PM também pediu que os participantes não tivessem o rosto coberto, mas mascarados eram vistos em meio à marcha durante a noite. 

Durante o trajeto pela Rua da Consolação, a mediação da PM tentava evitar que o ato chegasse à Avenida Paulista. O debate com representantes do MPL abordou a Constituição, passou por lembranças de atos anteriores do MPL e incluiu trocas de acusações dos dois lados. O tenente Crúvel Clemente, do 7° Batalhão da PM, um dos negociadores, e uma representante do MPL falaram a noite toda. Enquanto isso, atrás deles, a marcha seguia sem certeza de onde chegaria.

Por volta das 21h15, o protesto terminou na esquina da Rua da Consolação com a Fernando de Albuquerque. O MPL encerrou a marcha marcando novo protesto para a semana que vem, na Praça do Ciclista, na Avenida Paulista. Ao fim do ato, porém, houve tumulto. Na Rua Bela Cintra, uma agência da Caixa Econômica Federal foi depredada e lixeiras foram reviradas. Bombas de gás lacrimogêneo estouraram na Avenida Paulista, onde outra agência da Caixa foi quebrada. 

As reivindicações

O protesto tinha bandeiras do PSTU, do PCB e da Conlutas. Manifestantes convocavam a população a apoiar a greve do funcionalismo público municipal, marcada para o dia 4 contra a reforma da previdência dos servidores de São Paulo, já sancionada pelo prefeito Bruno Covas (PSDB).

Embora o prefeito e o governador João Doria (PSDB) fossem os principais alvos nos cartazes, outros grupos também foram provocados. "Não vai ter paz, mexeu com a tarifa, mexeu com Satanás" era um dos gritos - uma resposta a discursos religiosos do primeiro escalão do governo Bolsonaro.

Membro do MPL destacada para falar com a imprensa, a manifestante Gabriela Dantas disse que o objetivo do ato era protestar contra o aumento da tarifa em índices maiores do que o salário mínimo. "Tivemos um aumento salarial abaixo da inflação e um aumento da tarifa acima da inflação".

A estudante de linguística Juliana Vignado, de 27 anos, dizia esperar um protesto pacífico, quando falou com o Estado ainda na concentração do ato. "Acompanho os meninos do MPL há muitos anos e sei da seriedade deles. Minha preocupação é com a repressão policial".

O casal Rafael Selassie, de 17 anos, e CJ Backer (a jovem não quis dar o nome), de 18, disseram acreditar que o protesto não revogará os aumentos, como ocorreu em 2013. "Os governos hoje são muito mais repressores, de corte de direitos", disse ela. "Mas nosso papel é ir para a rua", completou ele. "Democracia não é o governo de todos. É o da maioria. Então temos de construir a nossa", finalizou CJ.

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