PM entrega filho após jovem agredir policial em protesto

Adolescente aparece espancando um PM à paisana durante ato contra o aumento das tarifas de ônibus, trens e metrô; veja vídeo

Alexandre Hisayasu e Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

12 Janeiro 2016 | 03h00

SÃO PAULO - Um policial militar, pai de um adolescente de 17 anos, apresentou o filho na delegacia nesta segunda-feira, 11, depois de assistir a um vídeo em que o jovem, juntamente com um grupo de manifestantes, aparece espancando um PM à paisana durante os protestos contra o aumento da tarifa de ônibus, na sexta-feira. O menor foi encaminhado à Fundação Casa. 

A vítima do jovem foi o soldado Eduardo Fermino de Sá, do Serviço de Inteligência da PM, que estava à paisana no protesto, mas acabou descoberto ao tentar prender um manifestante. Após ser agredido por cerca de quatro minutos, ele foi resgatado por policiais fardados. O vídeo circula nas redes sociais.

Segundo a Polícia Civil, outro rapaz, Rodrigo Bernardes de Souza, de 28 anos, foi preso em flagrante porque teria roubado o celular de Sá durante as agressões. Ele estaria tentando tirar a mochila do soldado quando foi detido por outros PMs. Policiais do Decap, departamento responsável pelas delegacias da capital, tentam identificar as outras pessoas que participaram do espancamento do agente.

As imagens. O vídeo começa com um manifestante sendo agarrado pela gola e pelo braço esquerdo por um policial à paisana. O PM usa camisa preta, estampada com o super-herói Hulk, e um boné da mesma cor. Caído, o jovem grita desesperadamente: “Me solta! Me solta!”

O rapaz consegue se desvencilhar e fugir do local após outro conflito, poucos metros mais à frente, tomar a atenção do PM. Ao menos cinco pessoas cercam o soldado Eduardo Fermino de Sá, que também estava com traje civil e vestia uma camiseta branca.

De joelhos, o policial é imobilizado por um homem de camisa cinza. Dominado, ele ainda recebe chutes na cabeça de outro homem. O PM consegue se levantar e é amparado pelo primeiro policial, mas os agressores continuam acuando os dois. Ao redor do grupo, várias pessoas gravam a cena com celulares e câmeras.

É possível ver que a vítima apresenta um ferimento na testa. Na sequência, os integrantes do protesto exigem que ele apresente uma identificação. “É P2 (policial do Serviço de Inteligência)? Bem feito”, diz um dos manifestantes.

O tumulto continua e Sá chega a ser empurrado contra um portão. Ele nega ter atacado o rapaz que aparece nas primeiras imagens. Em resposta, recebe xingamentos. Na sequência, um agressor dá um soco no rosto do PM e um chute por trás. Ele é agredido mais vezes antes de conseguir correr, mas é perseguido pelo bando. “Corre, P2! Corre, P2”, provoca o cinegrafista amador.

O policial ainda leva outras duas rasteiras. “Não pode deixar linchar o cara, não”, diz um homem que acompanha a cena. “Não”, assente o cinegrafista. Os agressores o derrubam outra vez e voltam a cercá-lo. O bando só para com a chegada de viaturas e motos da PM.

O secretário da Segurança Pública, Alexandre de Moraes, afirmou nesta segunda-feira, 11, que os agressores serão tratados “criminalmente”. “Nós temos de separar os que se manifestam daqueles que claramente se infiltram para praticar crimes, danos, violência e lesões. A violência de poucos acaba atrapalhando, encerrando o ato mais cedo.” 

SSP nega ter plantado prova e mostra vídeo

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) divulgou nesta segunda imagens feitas por policiais à paisana para rebater um vídeo do grupo Jornalistas Livres, segundo o qual PMs teriam plantado explosivos na mochila de manifestantes no protesto da sexta passada. Dois rapazes foram detidos em flagrante por dano e porte de material explosivo.

A gravação da SSP mostra dois jovens na Praça Roosevelt, na região central, um deles com o rosto encoberto. Em seguida, o outro rapaz atira um coquetel molotov na direção de viaturas da PM que estavam estacionadas. Após a explosão, policiais se aproximam e a dupla sai correndo. Antes de fugir, o responsável por atirar o explosivo ainda mostra o dedo médio para os agentes.

De acordo com a SSP, os rapazes são os mesmos do vídeo que acusa a PM de forjar um flagrante. Nessas imagens, PMs aparecem revistando manifestantes. Na ação, eles abrem as mochilas e retiram materiais. No fim, um dos policiais coloca o explosivo na mochila, autua o grupo e o leva para o 78.º Distrito Policial, nos Jardins. A pasta afirma que as imagens da PM foram feitas instantes antes da abordagem.

Ao todo, 17 pessoas foram detidas durante o ato, por crimes de roubo e dano ao patrimônio, além de posse de explosivo. 

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