PM entra em confronto com sem-teto próximo a Aeroporto de Cumbica

PM entra em confronto com sem-teto próximo a Aeroporto de Cumbica

Polícia cumpre reintegração de terreno; balas de borracha e bombas de efeito moral foram usadas para dispersar manifestantes

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

10 Fevereiro 2015 | 08h00

Atualizado às 14h40

SÃO PAULO - Policiais Militares e sem-teto entraram em confronto na manhã desta terça-feira, 10, durante uma reintegração de posse em Guarulhos, na Grande São Paulo. Os moradores tentaram impedir a entrada dos policiais no terreno, próximo ao Aeroporto de Cumbica, armando barricadas com colchões, pneus e pedaços de madeira em chamas para interditar ruas de acesso, além de incendiar alguns barracos e atirar pedras contra os oficiais. Para dispersar o grupo, a PM usou balas de borracha e bombas de efeito moral.

A reintegração de posse foi solicitada à Justiça pelo proprietário do terreno, localizado na Estrada do Elenco, região do Parque Primavera, após não ter chegado a um acordo com os moradores pela venda da área. Para cumprir a ordem, os policiais militares chegaram à área invadida por volta das 6h50. O Corpo de Bombeiros também precisou ser acionado para controlar o fogo em barracos e nas barricadas. Tratores foram usados para remover as moradias.

No início da madrugada, um grupo com cerca de 50 sem-teto, segundo a Polícia Militar, protestou no saguão do Terminal 1 do Aeroporto de Cumbica contra a ordem de despejo das famílias. Por volta da 0h30, os manifestantes exibiam cartazes e gritavam palavras de ordem. O ato seguiu pacífico e não interferiu no funcionamento do aeroporto, diz a concessionária GRU Airport.

O terreno de cerca de 250 mil metros quadrados foi invadido em abril de 2014. De acordo com a prefeitura de Guarulhos, a área era ocupada por cerca de 1,5 mil famílias, distribuídas em 300 barracos de madeira. A maior parte delas era estrangeira, em especial de outros países da América do Sul, como Bolívia, Argentina e Chile.

"A área é de preservação permanente e sofreu degradação ambiental por conta da construção de barracos de madeira e parcelamento do solo", afirma a Secretaria de Segurança Pública (SSP).

Em nota, a prefeitura de Guarulhos informou que assistentes sociais acompanharam as famílias do local desde novembro e que cadastrou 330 delas para programas sociais. "Muitas famílias têm moradia própria em bairros vizinhos e já deixaram o local, por isso há barracos vazios na área. Outras ganham mais de R$ 2 mil por mês, o que impede de serem inseridas", diz. 

"A reintegração está acontecendo em uma área particular. Nesses casos, a responsabilidade de encaminhamento das famílias é do proprietário do terreno. Entretanto, a prefeitura colocou-se à disposição para acompanhar e orientar as famílias por intermédio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Assistência Social", afirma a nota.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.