Edison Temoteo/Futura Press
Edison Temoteo/Futura Press

PM é preso por suspeita de participação em chacina de Carapicuíba

O soldado Douglas Gomes Medeiro, do 20º Batalhão, foi preso nesta manhã; vítimas teriam assaltado e agredido a mulher do PM

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

24 de setembro de 2015 | 11h23

Atualizado às 15h24

SÃO PAULO - O soldado da Polícia Militar Douglas Gomes Medeirofoi preso na manhã desta quinta-feira, 24, suspeito de ter participado da chacina que deixou quatro mortos na frente de uma pizzaria em Carapicuíba, na Grande São Paulo, no último sábado, 19. Segundo investigações, o crime teria sido cometido por vingança, após a mulher do policial ser roubada e agredida pelos rapazes - o que descartaria a hipótese desses assassinatos estarem relacionados aos ataques em Osasco e Barueri.

Os jovens mortos tinham entre 16 e 18 anos e trabalhavam como entregadores da pizzaria. Ainda que não pese contra eles nenhum registro de antecedente criminal, o secretário de Segurança Pública, Alexandre de Moraes, afirmou que os quatro estavam ligados a investigações de roubos em Carapicuíba e teriam sido reconhecidos por vítimas. Segundo relatos de testemunhas, eles praticavam assaltos de motocicletas e usando mochilas de entrega de pizza.

Uma das vítimas teria sido a mulher de Medeiro, integrante do 20º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano (20º BPM/M), na cidade vizinha de Barueri, na Grande São Paulo. "Os quatro rapazes haviam iniciado a prática de vários roubos. Inclusive, foi localizada a bolsa da mulher (do policial) entre os pertences deles", afirmou Moraes. "Ela foi vítima do roubo, foi agredida e a motivação (da chacina), ao que tudo indica, foi uma vingança."

No dia do crime, os jovens conversavam na frente da pizzaria, quando homens ocupando um carro cinza chegaram e atiraram nas vítimas durante a madrugada. Testemunhas ouvidas pela Polícia afirmam terem visto Medeiro no local das execuções no sábado. "Era como se ele estivesse fazendo um reconhecimento de campo", afirmou o secretário. A Justiça de São Paulo decretou a prisão preventiva do PM, que foi interrogado em Barueri.

As imagens de câmeras de segurança analisada pelos investigadores apontam participação de mais criminosos na chacina. De acordo com Moraes, no entanto, a Polícia ainda não tem a identificação de outros suspeitos.

Com base em investigações e laudos dos projéteis deflagrados, o secretário descartou que haja ligação entre o ataque de Carapicuíba e a maior chacina da história de São Paulo, que deixou 19 mortos e 5 feridos, em Osasco e em Barueri, no dia 13 de agosto. "(Em Carapicuíba) foi uma motivação totalmente pessoal, homicídios passionais. Não há nenhuma relação - só o fato de se lamentar a conduta do policial militar", disse.

Histórico. Até o momento, apenas uma pessoa foi presa por suspeita de participar da chacina em Osasco e Barueri: o também policial militar Fabrício Emmanuel Eleutério, que cumpria funções administrativas nas Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota). O nome dele aparece em investigações de pelo menos 34 assassinatos. 

Em maio, o PM Walter Pereira da Silva Junior e o ex-PM Rodney Dias dos Santos foram presos após investigações da chacina na sede da Pavilhão 9, torcida organizada do Corinthians, onde oito pessoas foram executadas.

Apesar do histórico, Moraes defendeu o trabalho da PM. "Nós temos 90 mil homens na Policia Militar, acaba tendo criminosos e desvios. Não porque a Polícia Militar é assim, mas porque pessoas criminosas que momentaneamente estão de farda são assim", disse. "O que se pode fazer para garantir a tranquilidade da população é  que todo desvio cometido será desvio punido." 

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