PM é preso por dar cobertura para arrastões

O policial militar Alexandre Siqueira, de 35 anos, foi preso ontem acusado de colaborar com uma quadrilha que realizava arrastões em condomínios na zona sul de São Paulo. Segundo o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), ele foi cooptado para avisar os bandidos sobre a presença de outros policiais nas redondezas dos prédios atacados.

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

10 Abril 2012 | 03h03

Segundo a Corregedoria, o soldado foi detido às 19h, quando se apresentava para trabalhar na área do 45.º Batalhão da PM (Mooca). Ele é casado e não tinha faltas graves em seu histórico. Os únicos registros apontam problemas rotineiros, como um acidente com viatura e desentendimento com outros policiais. Ele está na PM desde 1997.

Escutas telefônicas e informações fornecidas pelos próprios ladrões levaram a polícia até Siqueira. Logo depois de preso, o PM foi levado pelos colegas de corporação para a sede do Deic, onde prestaria depoimento na noite de ontem.

Outro PM, ouvido no domingo, é tido pela polícia como suspeito de colaborar com bandidos em outras ações, mas ainda não há provas contra ele e, por isso, não foi pedida sua prisão preventiva. Depois de cooptado pelo bando, ele teria se recusado a participar de um arrastão na sexta-feira. Mas o PM também não informou seus superiores sobre a intenção dos bandidos.

Na última quinta, o soldado Rafael Carlos Rebollo Ragate, de 35 anos, foi preso por colaborar com ladrões de residências da zona oeste. O diretor do Deic, Nelson Silveira Guimarães, disse que a prisão de policiais envolvidos com o crime tem "efeito pedagógico". "Para saberem que serão descobertos."

A quadrilha foi descoberta no fim de semana pela 5.ª Delegacia do Patrimônio, do Deic. O bando planejava um arrastão em um prédio na Chácara Klabin, zona sul. Além de Siqueira, o grupo tinha mais 14 pessoas. Eles tinham até carros com placas falsas, iguais às dos moradores, para facilitar a entrada no condomínio.

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