PM é preso por ajudar ladrões de casas

Soldado dava cobertura a quadrilha quando viaturas se aproximavam; bando é especializado em roubos nos Jardins, Morumbi e Butantã

FABIANO NUNES, JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

07 Abril 2012 | 03h02

O soldado da Polícia Militar Rafael Carlos Rebollo Ragate, de 35 anos, foi preso em flagrante por ajudar uma quadrilha especializada em assaltos a residências de bairros nobres das zonas sul e oeste de São Paulo, como Jardins e Morumbi. Ele foi detido, na tarde de anteontem, logo após a Polícia Civil impedir um assalto a uma casa de alto padrão na Rua Geraldo Nogueira Cobra, no Butantã, zona oeste.

Um assaltante da quadrilha foi morto durante a ação e outros conseguiram fugir, após troca de tiros com policiais civis da 3.ª Seccional Oeste.

O PM já era investigado havia três meses. Nesse período, os agentes civis descobriram que os criminosos mantinham contato com ele por celular. O militar era responsável por avisar os assaltantes quando policiais se aproximavam. Assim, bandidos podiam agir tranquilamente.

"A sociedade não aceita que um policial, que é contratado para combater o crime, passe a auxiliar a bandidagem. A ordem é ser muito rigoroso com esse tipo de desvio. Vamos continuar as investigações para saber se há envolvimento de outros policiais com essa quadrilha", disse o delegado-geral da Polícia Civil, Marcos Carneiro Lima.

Na tarde de quinta-feira, os investigadores descobriram que o grupo atacaria uma residência no Butantã e cercaram a área. Um vigia de 52 anos, que trabalha na região há 25, foi rendido por quatro homens por volta das 16 horas na Rua Geraldo Nogueira Cobra, perto da Avenida Eliseu de Almeida. Ele foi colocado em um EcoSport com dois ladrões e ficou sob a mira de uma pistola, enquanto outros criminosos invadiam uma casa.

Tiroteio. De acordo com a Secretaria da Segurança Pública, após a polícia chegar ao local, dois suspeitos tentaram fugir a pé. Os homens estavam na residência e tentaram pular o muro para escapar pelas casas vizinhas. Nesse momento, houve o tiroteio. Na troca de tiros, Rodrigo Mendes de Souza, de 21 anos, foi atingido. Ele foi socorrido pelos policiais e levado ao Hospital Bandeirante, onde morreu.

Os outros criminosos que estavam no EcoSport tentaram fugir, levando o vigia como refém. Eles entraram na contramão de uma rua e bateram em uma motocicleta dos Correios. Após a batida, os bandidos fugiram a pé.

O vigia foi liberado após o choque. Ele não teve ferimentos. De acordo com testemunhas, outra parte da quadrilha, que estava em um Palio azul, também conseguiu escapar do local.

Após essa ocorrência, o PM foi preso em flagrante dentro do 16.º Batalhão da Polícia Militar, no Butantã, ao lado da Universidade de São Paulo (USP). Ragate trabalha na Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas (Rocam).

A equipe de investigação tem provas da participação do PM, como escutas telefônicas autorizadas pela Justiça. "Ele nunca ia ao assalto, mas passava informações privilegiadas aos criminosos", disse o presidente do Conselho de Segurança do Portal do Morumbi, Celso Neves Cavallini. "A atitude dele é revoltante. Ele ajudou criminosos a atacar residências no Morumbi, nos Jardins e em Pinheiros", disse Cavallini.

Pistola. Após ser preso em flagrante, Ragate foi acompanhado por um sargento da Corregedoria da PM até o Presídio Romão Gomes, na zona norte, onde permanecerá preso. De acordo com a Polícia Civil, com Souza foi encontrada uma pistola, produto de roubo registrado na Delegacia de São Roque.

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