PM e outras nove pessoas são mortas a tiros na capital

Na zona norte, chacina com 4 vítimas ocorreu em um bar a 100 metros de onde policial foi atacado no dia 8

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2012 | 02h05

Quatro pessoas foram assassinadas ontem em um bar na Estrada do Sabão, na Vila Brasilândia, zona norte de São Paulo. Trata-se da oitava chacina registrada neste ano apenas na capital e, mais uma vez, os matadores estavam em uma moto, com capacete, e não foram identificados por testemunhas que acompanharam a ação. Outras seis pessoas foram assassinadas entre anteontem à noite e ontem, incluindo um PM na zona sul da capital.

A polícia investiga se o soldado Adriano Garcia Barbosa, do 37.º BPM, foi executado deliberadamente por bandidos no Capão Redondo ou assassinado durante tentativa de assalto. Ele é o 95.º PM morto neste ano no Estado. O ataque aconteceu por volta das 6h de ontem na Rua Rosário Scamadi. O soldado seguia em uma moto, quando foi abordado por dois bandidos que teriam anunciado o roubo. Barbosa teria reagido e acabou atingido. A corporação não soube dizer ainda quantos tiros o acertaram. Criminosos fugiram na moto dele.

Já o crime na Vila Brasilândia aconteceu a menos de 100 metros de uma adega onde um policial militar sofreu um ataque e matou o agressor no dia 8 de novembro. Testemunhas contaram à polícia que, por volta da meia-noite, dois homens em uma moto passaram lentamente na frente do bar, parando em seguida. Um deles entrou no local e atirou sem dizer nada. Segundo testemunhas, enquanto um atirava, o outro recolhia os estojos das balas, para não deixar provas do crime. Mesmo assim, a perícia conseguiu resgatar um projétil de um dos corpos.

Foram mortos Antonio Marcos Santana Leal, de 42 anos, Claudinei Pereira da Silva, de 41, Danilo Bonfim Viana da Silva, de 27, e Luciano Araújo de Sousa, de 30. Outras duas pessoas, de 38 e 48 anos, também foram baleadas e, até a noite de ontem, estavam em estado grave no hospital.

Um dos sobreviventes estava de passagem pelo bar quando foi atingido - recém-saído do trabalho, ele deixava o estabelecimento com duas latinhas de cerveja, quando deu de cara com os matadores. Um dos mortos, Claudinei, tinha acabado de chegar ao local para comprar cigarros. "Ele não fazia mal para ninguém", disse o irmão da vítima.

Testemunhas contaram também que, assim que o atirador parou de disparar contra as vítimas, outras duas pessoas em outra moto passaram pelo local. No bar, a polícia encontrou duas máquinas de caça-níqueis.

Moradores relatam um clima de terror no bairro (leia depoimento ao lado). "Outro dia mesmo, deram um cavalo de pau com o carro, na frente ao bar, e ficaram parados, olhando para dentro", afirmou um ajudante-geral, de 30 anos. Foi ali também que a PM Marta Umbelina da Silva, de 44 anos, foi assassinada em 3 de novembro. Ainda no início do mês, dois dias após a morte da policial, sete pessoas foram assassinadas na região em duas chacinas.

Violência. Além do assassinato do comerciante Rafael Jesus Fulaz, de 31 anos, e da mulher dele, Sibele Carla Pedroso, de 36, que estavam de moto na Avenida dos Bandeirantes (leia na página ao lado), a Grande São Paulo registrou quatro mortes violentas. Na zona leste, Darlan Alves dos Santos de Malta, de 25 anos, foi baleado em Cidade Tiradentes. Em Barueri, um homem foi achado morto. Em Mauá, outra pessoa foi morta por motoqueiros. / COLABOROU GHEISA LESSA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.