PM é morto na Rocinha a 7 dias de UPP

Diego Henriques, de 25 anos, foi assassinado durante patrulha na parte alta da favela; adolescente foi detido ontem, mas nega o crime

MARCELO GOMES / RIO, O Estado de S.Paulo

15 Setembro 2012 | 03h02

A uma semana da inauguração da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha, em São Conrado, zona sul do Rio, um policial militar foi morto na noite de anteontem em confronto com bandidos da comunidade. O soldado Diego Bruno Barbosa Henriques, de 25 anos, foi atingido por um tiro de pistola calibre 9 mm na cabeça, quando fazia patrulhamento na parte alta da favela.

Henriques chegou a ser levado ao Hospital Miguel Couto, na Gávea, mas não resistiu. Esta é a terceira morte de policiais em favelas com UPPs ou em processo de pacificação desde o início do programa, em dezembro de 2008. A UPP da Rocinha será inaugurada na quinta-feira.

Após o ataque, o policiamento foi reforçado na Rocinha. Cerca de 130 homens fizeram uma operação ontem para procurar os assassinos do soldado. Um adolescente foi detido após denúncia anônima. Na casa dele, PMs encontraram munição de pistola 9 mm. Ao ser preso, o rapaz teria confessado o crime, dizendo que estava com dois comparsas. Mas, em depoimento na Divisão de Homicídios, ele negou.

A vítima e outros três policiais patrulhavam a favela a pé por volta das 22h30, quando foram surpreendidos na esquina do Beco 99 com o Caminho do Terreirão. A polícia achou dois carregadores de pistola 9 mm no local. Também havia pichações com o apelido do jovem apreendido.

Henriques era o "ponta" da patrulha: ia na frente abrindo caminho. PM havia um ano, já tinha sido fuzileiro naval e participado de missões de paz no exterior. O soldado foi enterrado ontem no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, zona oeste do Rio.

Pacificação. Para o coronel Frederico Caldas, porta-voz da PM, o incidente "foi um fato isolado, que não caracteriza uma afronta ao processo de pacificação". Segundo Caldas, de abril até ontem, a polícia prendeu 63 pessoas e apreendeu 58 granadas, cinco pistolas, quatro revólveres e três fuzis na Rocinha.

"O ataque na Rocinha é mais uma ação desesperada dos marginais", disse o governador Sérgio Cabral (PMDB), pelo Twitter. "A diferença é que até dois anos atrás a polícia era a invasora. Agora, o bandido é o invasor."

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