Protesto acaba em confronto, com tiros, ônibus e escola queimados

Morte de adolescente atropelado por caminhão na quarta motivou ato; moradores interditaram a Estrada Santa Inês, na zona norte

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

15 Julho 2016 | 18h30
Atualizado 15 Julho 2016 | 22h35

SÃO PAULO - Moradores que protestavam por mais segurança no trânsito e policiais militares entraram em confronto, no início da noite desta sexta-feira, 15, na Estrada Santa Inês, no Jardim Peri, zona norte de São Paulo. Um ônibus, dois carros e a Escola Estadual Dilson Funaro foram incendiados durante o tumulto. Manifestantes fizeram barricadas em diversas ruas do bairro e vias foram interditadas. Policiais afirmaram que criminosos infiltrados no ato atiraram contra os agentes. Até as 21 horas, não havia informações de presos nem de feridos.

A manifestação começou por volta das 16 horas, na Praça da Paz, perto do local onde um caminhão atropelou e matou um adolescente de 14 anos, na noite da quarta-feira. Cerca de 350 moradores participavam do ato, que pedia mais infraestrutura de segurança para a localidade, como a instalação de lombadas e guardrails. Os manifestantes atearam fogo em três pontos da praça. A Polícia Militar foi acionada e chegou ao local com cerca de cem homens das Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas (Rocam) e da Tropa de Choque, às 17 horas. 

De acordo com os moradores, o confronto começou quando pessoas alheias ao movimento reagiram à chegada dos policiais, atirando rojões e pedras contra os agentes. A PM lançou bombas de gás e de efeito moral e disparou balas de borracha contra a multidão. Os policiais avançaram a pé pelas ruas do bairro. A reação assustou quem chegava do trabalho e não sabia o que estava acontecendo no local.

Em nota, a corporação informou que “vândalos começaram a investir contra os policiais militares destacados para acompanhar o ato”. “Assim, diante da quebra da ordem pública, foi necessário o uso gradual da força, que consistiu em munições químicas e elastômeros (bala de borracha) para o restabelecimento da ordem”. 

Com o confronto, o protesto se espalhou pelas ruas do Jardim Peri, que foram bloqueadas para o tráfego. Por volta das 19 horas, a PM tentava encontrar focos paralelos de tumulto. Em um deles, na Rua Palmas de São Moisés, um ônibus foi cercado e incendiado.

Um rastro de fogo podia ser visto ao redor do veículo. Os bombeiros confirmaram ainda que outros dois veículos também foram queimados pelos vândalos. A cerca de um quilômetro do início do protesto, a Escola Estadual Dilson Funaro foi incendiada por manifestantes. Pela distância, o confronto se desenrolou por vielas da chamada Favela do Flamengo.

Os bombeiros enviaram três viaturas para o lugar, mas tiveram dificuldades para chegar aos locais das ocorrências, por causa dos bloqueios feitos nas ruas. Moradores com baldes de água tentaram debelar as chamas. Uma unidade para resgate de vítimas também acompanhou a operação. 

Acidente. O protesto foi motivado pelo atropelamento e morte de um adolescente de 14 anos, atingido por um caminhão nas imediações da Praça da Paz. A ocorrência deixou ainda nove feridos, quatro deles também adolescentes. 

De acordo com informações da Polícia Militar e da Secretaria da Segurança Pública, o motorista do veículo disse, em depoimento, que conduzia o veículo no sentido bairro, por volta das 21 horas, mas perdeu o controle da direção ao fazer uma curva. Ele afirmou ter buzinado para as pessoas, tentando alertar que estava sem freios. O caminhão bateu em um trailer e, em seguida, parou no portão de uma residência.

O estudante Tiago Dias Cirqueira Sousa não resistiu aos ferimentos e morreu. Outras nove pessoas, incluindo o motorista do caminhão, foram socorridas. O condutor foi levado para o pronto-socorro do Hospital Geral de Taipas, também na zona norte. As outras vítimas foram hospitalizadas em unidades da região.

O caso foi registrado no 72.º Distrito Policial (Vila Penteado) como homicídio culposo (sem intenção de matar) e lesão corporal culposa e é investigado pelo 38.º DP (Vila Amália), delegacia responsável pela área.

Nesta sexta, moradores reclamaram da estrutura de proteção da praça, que havia passado por uma reforma recentemente, com a instalação de equipamentos e brinquedos para crianças. “Reformaram, mas só que ninguém cuidou da segurança. Precisava de uma lombada na rua, de um guardrail. A gente quer mais segurança para essa praça”, disse um homem no bairro que preferiu não se identificar. 

Quarta morte. Moradores relataram que essa teria sido a quarta morte nos últimos anos provocada por atropelamento em razão de problemas nas vias do bairro.

 

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