PM é baleado em confronto em Fortaleza

Manifestantes depredaram terminais de ônibus; transporte público parou em 7 capitais do País

LAURIBERTO BRAGA , ESPECIAL PARA O ESTADO , FORTALEZA, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2013 | 02h01

Um policial militar ferido a bala, dezenas de ônibus quebrados, terminais de ônibus depredados, universidades e comércio fechados. Esse foi o resultado do dia nacional de luta das centrais em Fortaleza, cidade que registrou maior número de transtornos. Lá e em pelo menos seis capitais (Belo Horizonte, Palmas, Porto Alegre, Salvador, São Luís e Vitória) foram registrados problemas no sistema de transporte coletivo.

Puxado pelas centrais sindicais, o movimento logo de madrugada já mobilizava rodoviários, operários da construção civil, professores e estudantes. As manifestações fecharam com violência os sete terminais urbanos e o Terminal Rodoviário João Thomé, em Fortaleza. Houve quebra-quebra e confronto com o Batalhão de Choque da PM. A polícia, para dispersar os manifestantes, utilizou balas de borracha e bombas de gás. No revide, um manifestante baleou um PM, que foi levado ao hospital. Após o atendimento, seu quadro era estável.

Com a paralisação dos rodoviários, cerca de 1,5 milhão de pessoas ficaram sem ônibus por toda a manhã. O Sindicato das Empresas de Ônibus lançou uma nota lamentando a paralisação violenta. Para o Sindiônibus, a manifestação foi "uma prática ilegal e contumaz de perturbação da ordem e uma agressão covarde e violenta à população". O presidente do sindicato, Dimas Barreira, ameaça entrar com uma ação na Justiça para barrar futuros protestos.

Horas depois, a Secretaria de Educação de Fortaleza foi ocupada pelos professores, que também fecharam a Avenida Pontes Vieira, empunhando faixas contra o prefeito Roberto Cláudio (PSB). Os professores são contra a terceirização no serviço. Uma passeata pelas ruas centrais ainda culminou com um ato no Paço Municipal.

Também houve confusão em Brasília. Impacientes em relação às reivindicações salariais, trabalhadores da estatal invadiram a sede da empresa, após quebrarem uma porta de vidro. Para os Correios há ação foi "injustificável". Haverá negociações na próxima semana.

Salvador. Outra capital nordestina que enfrentou transtornos no transporte público foi Salvador. A forte chuva complicou ainda mais o trânsito na cidade, já afetado pela paralisação do transporte público e por um bloqueio, feito por manifestantes, na BR-324, que liga Salvador e Feira de Santana.

Já em São Luís o problema foi nas chamadas "linhas alimentadoras" do transporte público, paralisadas das 7 às 12h. Até o início da tarde, só 40% da frota circulava. Em Palmas, Vitória e Porto Alegre (veja abaixo), os bloqueios de vias com manifestações impediram a passagem do transporte público. A maior parte dos serviços foi restabelecida na parte da tarde.

Em Belo Horizonte, ônibus das Estações Barreiro e Diamante deixaram de circular por sete horas, com a paralisação dos rodoviários. Por dia, 180 mil pessoas passam pelas duas estações, que recebem ônibus de municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte. O protesto começou às 6h e o serviço só foi restabelecido à tarde.

Apesar do dia de luta sindical, o foco no Recife também foi o transporte, com manifestantes exigindo uma CPI para investigar o sistema. /COLABORARAM EDUARDO RODRIGUES, FLORENCE COUTO DOS SANTOS E MARILIA FELISBERTO DE ASSUNÇÃO, ESPECIAL PARA O ESTADO

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